As palavras que escorrem de mim não tem preço

Desço as escadas e vejo a linda lua invadindo uma noite quente de agosto. Que inusitado, nada da minha cabeça fazia mais sentido, todos os dias olhando as noites caírem na janela e dormindo depois para mais tarde acordar nesse meu intervalo chamado férias, que merda, dez dias não podem se chamar assim. Enfim, entrei no carro e ele me levou para o Itararé, na parte mais linda da norte, bem no alto da rua, mesmo lugar em que me pediu em namoro há cerca de um ano atrás. Todos os prédios com suas luzes vistos de longe não pareciam nos engolir, estávamos fugindo da babilônia e era tão bom estar longe da cidade e então tira a minha roupa e me confunde, ninguém poderá nos ouvir, minha boca sempre foi capaz de coisas incríveis, eu me deito de costas com o banco abaixado e todos eles se perderam em vários cantos da cidade, mas não havia ninguém ali, eu podia gritar a vontade, deixo de ser atriz quando está escuro e os vidros embaçam dificultando minha visão da cidade, por isso passo meu pé para poder enxergar melhor. Enxergue meu corpo banhado de escuridão, apenas a luz da lua poderia disfarçar as imperfeições do meu corpo e o abençoar com sua beleza incomparável, olhe bem para minha bunda e observe o estrago que ela faz em mentes que não seguram seus instintos. Minha mãe te disse o quanto eu sou impulsiva, por isso todo cuidado é pouco com minha mente miserável e eu tremo em meio aos venenos que correm em meu corpo e brigo com os demônios que habitam minha mente e corroem minhas células. Seja mais delicado com meu corpo, pois ele é podre e doente, inflama em chamas, vermelho, dói, quero delicadeza, arde tudo em mim. Te mostrei aquele texto e sei que viu a miséria que me move para a revolução, mas me destruo quando não cuido de mim mesma.
Não entendo porque as vagabundas continuam me incomodando como se fosse possível me atingir, não haverá nenhuma mais vagabunda do que eu. Ando relapsa e sem vontade de nada, a ausência toma conta de mim. Alice falando com as flores falantes me inspiram a usar palavras como armas e a única coisa que me importa é a arte, do resto abstraí o sentido, só há vida que vale à pena com a emoção que a arte gera nas pessoas.
Queria que houvesse uma maneira de viver de arte, de viver das palavras que escorrem de mim, mas não sei como fazer isso. Sigo insistindo em terminar letras, como dar aula se não sei por onde começar, me sinto assoberbada, semi-morta e todos os meus sorrisos são falsos e meus movimentos arrastados e meus pensamentos não se completam, apenas caem no precipício da loucura. Sinto que muitos querem dificultar meu caminho. Sei claramente que vou me foder no final, mas lembro da voz dele e sonho com ele e todos os desenhos que ele fez quando criança chegam como flashes em minha cabeça, e todas as suas palavras são como tapas dados na minha cara de vadia ingrata e desgraçada.
Não é fácil enfrentar os próprios instintos e fugir de coisas belas. Não é fácil escolher o caminho mais difícil e ter todas as noites o travesseiro molhado de lágrimas de desesperanças.
Novamente fiz minha mãe chorar com minhas oscilações de humor, me sinto cansada mas nem comecei, nenhum médico ajuda minha saúde a melhorar e ninguém consegue me ajudar e nada tem cores no mundo, toda a melancolia invade meus dias conturbados e fodidos.

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