sobre a liberdade que me mantém desperta

Eu poderia dizer que sinto muito, se isso fizesse ele mudar de ideia. Mas não pode.
Levei minha mãe até a rodoviária, organizei todo o quarto e comi tudo que tinha nele. Li um livro inteiro da Anaïs Nin. Pensei, que merda, poderia ficar sozinha na cidade e não haveria como afetar ninguém com a pessoa ruim que sou. Meu vírus passou para o rastinha, como isso soa ruim para mim.
Dei remédio para ele, bebi, mas fumei tanto que meu corpo tremeu, pois todos os músculos estavam em contração. Facas arrastando nas ruas, um pretinho se fodeu com a polícia, e tanto eu quanto ele continuaremos incomodando os outros e fazendo com que todas as coisas deem errado. Pensamos que o efeito foi bom, porque tudo pulsava mais forte e as vagabundas deixando tudo melhor, pois todos acreditavam nas palavras delas.
Segunda-feira tenho uma entrevista de estágio em uma escola de idiomas.
Pensei em como a cidade estava lotada, vi muitas pessoas, mas estava absorta em mim.
Avistei-o do outro lado da rua. Não queria brigas, não pude conversar com ele. Eu andava sempre em cima do muro. Confusão. Onde todo meu senso de realidade foi parar? Eu ouvindo JanisJoplin em plena tarde de sábado e tudo que posso fazer é lamentar. Sinto o vírus queimando o meu corpo. Naquele momento soube que havia algo de muito errado e mal em mim. Senti que precisava de ajuda, mas não pude gritar, apenas acreditar. Eu deveria escrever um manual de como ser uma vadia. Mas na verdade,  ninguém nunca me prometeu nada...

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