Não interrompam minha paz momentânea

Andávamos ouvindo rap bom, os melhores, pesou na mente. Numa tarde fria de sol, cavalos se aproximando como sempre, então fardados chamem ele e digam que ele é o dono do carro, que ele anda vendendo, levem o facão, levem a maconha, a seda. Mas não levantem uma mão, pode encarar, vou estar olhando de perto, observando e fumando um cigarro, tremendo de raiva, qualquer movimento violento, palavra impensada e racista eu avanço, eu me imponho, me meto no meio, uma rosa negra, vomitando opinião. De jeito nenhum verei injustiça e ficarei quieta, quando preciso da polícia, ela jamais ajuda, somente atrapalha, atrasa para o trabalho, humilha a melhor cor de todas e caminha lentamente para cumprir com a lei deturpada, todos os artigos serão rasgados, ninguém mais poderá delimitar onde posso fumar e o que posso fumar ou com quem. Vagabundas passam perto, seus maridos me olham sempre, nunca respondemos uma para outra e nunca nos olhamos, mas apenas uma palavra basta para que eu já tenha perdido o controle e todas as medidas necessárias serão tomadas, Quero apenas essa liberdade morna que possuo, que é minha, que eu não comprei, algum deus me deu.

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