Ainda sei teu cheirinho de cor

Fui até a minha cidade com ele de carro, quebrei um objeto de vidro caro e meu pai ficou bravo, então quebrei meus óculos. Apavorei o rastinha com minha ira, sempre avisei que eu era assim, indômita. Tudo bem, fiquei bem... Mas não consigo enxergar, sou míope, está sendo difícil e cansativo para mim forçar meus olhos assim.
Estou pesquisando os arquivos que saíram no jornal sobre a Carolina Maria de Jesus desde os anos 60, ando conversando com a professora e vamos iniciar uma pesquisa sob a ótica da análise do discurso aliada à literatura marginal, tudo que eu sempre quis, transformar a arte da periferia em ciência, trabalhar para enriquecer o mundo e o Brasil com análises que tenham bons resultados para que vejam que não estou brincando, pois quando uma autora negra escreve em seu diário que vê a fome e que a fome é amarela, acredito que seja a hora, e talvez seja tarde até, para mudar a realidade da miséria através das letras e da magia da paixão que possuo e do brilho nos olhos com sede de mudança e interesse social e cultural, porque a história não mente, os fatos estão aí, as consequências podem ser mudadas com trabalho árduo e em parceria com outras pessoas que também queiram mudar.
Fomos a um lugar deserto em frente a um lago, minha meia sete oitavos apenas e a lua observando meus movimentos mais gostosos que ninguém no mundo resiste, sempre quebramos o banco do carro, meu rastinha. Toda fumaça me movendo minha bunda de um lado a outro e os vidros embaçados.
As vagabundas nunca aprendem, quero que as magrelas vadias se fodam, olhem o tamanho da minha bunda.
Só queria dizer a ele que ele não pode me tratar como trata as outras e esse foi o erro dele, e foi muito tarde quando percebi que fui atropelada pelo amor e já não sobrevivi quando tive ele para mim, porque era muito, não soube cuidar, e sinto falta, eu confesso. Vezenquando - como Caio Fernando Abreu costumava usar- sonho contigo e acordo atordoada, na verdade sempre foi assim, mas agora é como se eu tivesse sufocando o que há dentro de mim e você não pode salvar, pretinho.

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