Acione o alarme

Minha mão está machucada e minha perna também, resultado dessa manhã quente que me fez explodir. Não precisei nem mesmo explicar que normalmente não converso sobre as coisas que não me agradam ou mesmo sobre todas ou quase todas as coisas, porque ele mesmo disse que sou uma criança. Expliquei a ele que para mim, basta que alguém perceba em cada fala e gesto um significado para saber o que foi mal interpretado. Então, ele argumentou que cada um pensa de um jeito. Não disse nada, apenas pensei, pobre inocente, eu já fui inocente assim, hoje sou muito mais dura, aconteceram três milhões de coisas para que eu me percebesse assim, marcas do tempo. Dormi fria como uma pedra. Demorei longas horas para dormir, explodindo e soltando lágrimas de raiva ao lado dele.
Acordei. Expliquei a ele que fazer sexo de quatro é um saco, ninguém gosta de olhar para a parede, insisti e ele ficou horas tremendo, pedi um cigarro, fumei, observei-o sentado com os dedos tremendo, fiquei com pena e fechei um, precisava relaxar, preciso relaxar. No início ele recusou, mas sabia que ele fumaria, então ri alto quando ele fumou, engraçado, estava medicando-o, de repente, em poucos minutos as mãos dele deixaram de tremer e tudo ficou bonito, até mesmo as árvores, e eu falei com ele uma sílaba que outra e assim fui aumentando as palavras de nossas frases trocadas. Restou apenas gritos alegres de criança e sambinhas românticos que quase nos mataram em nosso silêncio mútuo. Juntei os cacos das coisas que destruí, mas os meus destroços permaneceram em mim, dentro de mim, não consigo tirá-los, dizem que as lágrimas ajudam, mas há coisas cuidadosamente enterradas, de difícil acesso.
Então meu mau-humor perdurou e tomamos banho na piscina de plástico recém montada.
Ouvi o interfone tocar à noite, ele veio me fazer surpresa, pois me encontro praticamente incomunicável em minha torre no centro da cidade, sentindo que nunca foi meu lugar...
Simplesmente acredito que se relacionar com meninas de catorze anos é um tanto pedófilo, perdi o controle, então fiquei pensando, estou certa ou errada em minha plena loucura?
A massa que cozinhei ficou muito salgada e apimentada, ele diz que me ama e pede desculpas.
Peço desculpas agora, minha memória discursiva faz com que eu esteja acostumada às minhas atitudes péssimas. Além disso, agora nós dois estamos em crise daquele vírus filho da puta. De que maneira poderíamos sorrir? Já que tudo é fantasioso, restaram apenas lembranças e sonhos, todo o resto acabou.

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