Homofonia pulsante de dois corpos consonantes
Muitas vezes precisava fechar a janela do quarto para que os
vizinhos não a vissem nua. A rua iluminada pela luz da lua, não havia ninguém
que pudesse vê-los agora. Perdidos em meio a fumaça do ambiente, afogados em
meio a suas próprias fantasias. Observou seus olhos bem de perto, pode ver
claramente o desejo incendiando as paredes, quando a boca dele chega perto da
buceta dela e sua língua desliza lentamente, sempre disse a ela que poderia ser
atriz pornô, que havia nascido para isso, poderia trabalhar com sexo, seu lindo
corpo branco em contraste com o corpo magro e moreno, a pele dele com tatuagens
pretas e com letras lindas que contrastavam com a delicadeza das tatuagens coloridas
dela. Ele permanece minutos longos chupando-a enquanto anoitece, enquanto a
bebida faz com estejam sinceramente alegres e exageradamente felizes.
Tudo oscilava de um lado ao outro numa atmosfera de melodia
pesada. As paredes dissonantes, eles envoltos em uma quantidade de tempo
previamente calculada. As mesmas músicas de sempre. Quase não fugimos do rap
nacional. O gás do isqueiro dela terminou, não havia como terminar a ponta, não
havia como acender um cigarro. Ninguém estava preocupado conosco naquele
momento, estávamos livres daqueles velhos julgamentos, não se importavam com o
que os outros falavam deles.
As velhas posições sempre funcionam, ela fica chupando-o
deitada sobre o corpo dele, enquanto ele continua chupando-a e repetindo o
quanto gostava de fazê-lo, o quanto o gosto dela era bom, que ela sabia o
quanto ele adorava. Então ela balançava sua bunda como poucas garotas sabiam
fazer, maneiras secretas que o faziam suspirar. Deixou-a subir em cima dela,
aos poucos foram perdendo completamente a noção de espaço em ápices de
excitação incontroláveis. Fumaça verde subindo, ela pegou o lenço preto dele
emprestado e amarrou nos cabelos. O beijo deles nunca mudava no decorrer dos
anos, sempre quente e demorado. As lembranças nunca de dissipavam, não
importava o quanto haviam fumado, a voz dela era sempre boa de ouvir, altamente
melodiosa, escutaram a música dele, repetia os versos marcados na pele, as
rimas eram sempre cheias de homofonia.
Ele pede que ela se ajoelhe, nunca haviam feito dessa forma,
feministas não gostam? Contente-se com o talento incontestável dela. Perca-se
nos labirintos que ela te impôs.
Velocidade nos movimentos habilidosos da boca e das mãos
dela, tenacidade em seu corpo pequeno e uma imensa vontade dele de ejacular.
Vestiu-se e foi embora. O amor nunca tarda em partir.
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