Frívolas palavras de uma quinta-feira

Não há nenhum cigarro para fumar, mas quem disse que preciso fumar cigarros e impregnar o cheiro deles em mim? Não encontrei nenhuma casa.
A necessidade do silêncio me faz terminantemente adorar Florbela Espanca, com seus trejeitos semelhantes aos meus, passionais e efêmeros.
Haverá saída para o meu isolamento semipermanente ou estarei exclusa de mim mesma?
Chacoalhando no ônibus todos os dias, tento fazer com que a cama se mexa dez vezes mais, quando haverá alguém melhor que eu nesses trabalhos? Quantas vezes terei que juntar tanto dinheiro? Todos os dias vou ter que bater em alguém e esse alguém será você e para foder mais de uma vez por dia, porque quantas vezes serei tão boa nisso? Para no fim nunca olhar os preços, porque se é o dinheiro que ganhei, então gasto do jeito que quero.
Dias ininterruptos, caminho para qualquer lugar no sol escaldante, difícil encontrar algo bom nessa cidade derretida, sonhando com a praia, sedenta demais para ter alguma reação além de fumar tanto verde no sol que ninguém consegue essa cor caramelo tão facilmente como minha pele.
Apenas pijamas de seda, amigos próximos. Me passe o baseado mais uma vez para desencadear meus pensamentos obscenos sobre nós.
Vivo dias inteiros buscando solucionar meus problemas, por que ele me segura aqui desse jeito, por que tudo que eu tento esconder, sei que ele já sabe, antes mesmo de mim, todos eles sabem, apenas eu que me perco em mim mesma. De onde surge tanto amor que eu me esvaio em sangue?  Espero que algum dia eu não seja covarde, espero que ele não seja covarde para enxergar claramente o que não pudemos entender em anos.

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