Desculpe o transtorno

Pupilas dilatadas, você chega em minha casa no início da madrugada com muitas pessoas e grita, então parte o doce ao meio e coloca um pedaço na tua boca e outro na minha. Logo me sinto sufocada no carro. Saio, crianças idiotas vagando nas ruas imundas dessa cidade que pega fogo vezenquando e eles riem e querem drogas, queridos, elas acabaram, a professora aqui tomou todas, não pensem que é simples um metabolismo bem treinado como o meu. Recebi um abraço inesperado de uma menina que não via há tempos.
Whiskey caro, velho Johnnie walking on the moon, eu sentei e ele colocou gangsta rap clássico americano para me agradar, meu sangue borbulhando em pequenos minutos diluídos em vodka de maracujá e gelo. Todo álcool era como água para mim. Efeitos repetitivos que não abro mão. Milhões de baseados não me salvariam de sonhar com ele e acordar sem coração.
1738 tocando e repetindo em minha cabeça altamente adoçada.
Lembro-me claramente dele se agarrando com outro cara, não vá longe demais, porque eu já recuei, no minuto em que percebi tudo que nunca quis ver, mas já conheço bem de pertinho há muitos anos em diferentes pintinhos. Tome cuidado quando eu estiver altamente eletrizada e você não consiga segurar meus pronomes bagunçados em meus textos perdidos. E também quando deixar um cara te tocar, porque se fosse eu e uma mulher, eu era puta. Pois bem, eu sou puta.
Eu xingo, destruo, amasso e quebro a burocracia, mas ela sempre me vence. Os ônibus estão uma merda, já não se pode transitar sem esfregar a bunda em todo mundo. E se eu engravidar no coletivo?
Rota dores, km3, são josé, camobi. Rotas transtornadas, já não posso ir em casa à noite por medo.
Não interessa, continuaremos fazendo sexo quase sempre nas tardes mornas, nas camas barulhentas, e todos os buracos sempre voltam ao seu tamanho normal. Exceto os do meu coração diluído em thc.
Sinto saudades de quando acordávamos a toa e explorávamos a cidade de moto, no vento, sem se conhecer direito, sempre trepando, nunca brigando, sempre compartilhando, mas uma coisa nunca mudou: sempre nos fodemos.

Comentários

  1. Quando eu souber o que dizer a respeito eu volto aqui.

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