Madura que nem fruta
Preciso escrever
para ter contato comigo mesma.Hoje manchei minha roupa de tinta porque estavam
pintando a parede do prédio e hoje, eu simplesmente me apaixonei pelos teus
olhos escuros e caí neles, como em todos os dias do ano.Leitura de ônibus:
periférica e nacional, mas apenas para quando não viajo sentada no colo do
motorista apesar de eu subir paradas para ver se dou sorte e sento. Nessa
cidade que não me oferece quase nada, só o tempo vai me dizer se valeu a pena
escolhê-la. Penso isso quando estou derretendo de calor.Odeio quando me dão
tarefas difíceis, estou sempre procurando uma maneira de entender algumas
coisas na minha distração.
Escreva sobre mim e
dispute as letras comigo, sempre sairei ganhando, sem rima nem caminho,
destoando sem querer.
Como é difícil
morar em condomínio para mim, sempre foi. Não posso me mostrar muito. Dessa
vez, nem foi tanto. De repente percebo, e somente agora consigo distinguir o
que foi certo e errado e o que foi bom ou ruim. Fico atenta ao fato de que na
verdade o ruim nem sempre foi o que parecia ser ruim, mas sim o contrário.
Tanto tempo para mim mesma, para que pudesse pensar, repensar e desenvolver
algumas ideias. Todas insanas e provenientes da minha persistência em toda essa
merda que me destituí de tudo.
Me desprezem
e me ofendam o quanto quiserem, porque eu não entendo de moralismo barato. Às
vezes morro mesmo de amor, às vezes acredito em deus, às vezes perdoo e às
vezes decepciono. Muitas vezes faço amor e deixo que aprendam meu jeito. Quase
sempre não aprendem, mas fingem que sim.
Durmo chorando e
sonho repetidamente a mesma coisa. Ele está no sonho, único momento que está
perto de mim.
Talvez Freud tenha
a resposta no livro dos sonhos.
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