Correntes elétricas

A vi chegando e pensei: que incrível, ela veio realmente!
Fumamos uns, nos olhamos. Pouco falamos, estamos caladas demais, porque no fundo sempre fomos esse tipo de garota que prefere pensar do que dizer qualquer merda aleatória.
Aquele cachorro gigante era como um lobo.
Sinto um forte gosto amargo em minha boca. Jamais me arrependo de te amar, sigo bebendo vinho tinto, vinho rosé, ice, eu sigo bebendo e fumando. Mas o gosto amargo é por causa do doce que tomamos.
Estendo-me no banco, permaneço absorta enquanto a fumaça embaça os vidros do carro e observo a cidade inteira do alto, no mesmo lugar da norte onde você me pediu em namoro. Depois de um tempo, você tira minha roupa completamente, e eu gosto da maneira em que faço com que você faça coisas que jamais teve coragem de fazer, porque eu induzo ao problema sempre. Arriscar-se não significa morrer. 
Algumas vezes as palavras dissipam-se em minha mente e eu já não consigo lembrar da meia dúzia de rimas que ia fazer. 
Você exclama palavras sujas em meus ouvidos e eu respondo-as sem pudor. Não há outra maneira de amar com espasmos. Sei do poder que emana de mim, toda eroticidade que desliza sobre nossos corpos e se transforma em eletricidade.

Comentários

  1. Eu sinto teus textos [todos] vivos em mim. Eu sempre consigo sentí-los completamente mesmo que a minha maneira. Consigo vivê-los e sentí-los. Consigo imaginar cada cena à cada estrofe; ocorrendo feito um filme de que já vi algumas vezes e sei como funciona. Ser escritor é sensitivo nos leva as alturas e aos buracos. E eu gosto de todo esse resultado do nosso velho motor, mesmo que vezquando parando no caminho (que é pra vi)ver.

    Te beijo, gosto de ti e da tua literatura,
    sempre marginal
    até mais nega.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Argumente.

Postagens mais visitadas deste blog

Ultraviolência

Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Arco-íris e Tristessa