Velha Sintonia

Esperei-o e ele apareceu como uma brisa boa, a arte nos uniu, porque quando se faz arte sempre se é escutado, a arte tem o poder de comunicar sem dizer nada, e ele andava lendo meu blog, porque o pretinho já é personagem da chinaski há anos, e poucos conseguem permanecer por tanto tempo assim. Então sentamos no banco e toda fumaça começou a subir e olhei sua pintinha sobre o olho esquerdo bem de perto e meu cabelo atrapalhou tudo como sempre, e tudo pareceu não ter mudado nunca, essa foi a impressão que me deu: que ainda éramos os mesmos. Incrível como sua voz permanece em minha mente e os dias escurecem alaranjados e frios, eu quis dizer muitas coisas à ele, sobre como nem mesmo o sistema consegue ser um motivo para eu não ficar calada diante de tanta beleza e não conversar sobre o livro do eduardo porque a boca dele me deixa sem argumentos. Suas bases desmancham em meus ouvidos, suas rimas são leves, porque sua voz me acalma, então guarda a cara feia e a revolta e vem para minha cama, porque somos iguais quando estamos juntos, e nem eu mesma sinto raiva. Sempre soube que um passarinho sempre canta apesar do dia. Não importa. Eu sigo sentindo o mesmo. E só fumamos erva boa.

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