Emergência

Meu ritmo está perdido. Não tenho tempo de escrever de verdade, sangrando sem pena, sem pressa, no descaso da minha própria solidão e ainda sim sóbria. Todos os meus problemas se tornam pequenos quando vislumbro meu rosto na noite, desbotado e contente, falante e prepotente, fingindo uma extrema alegria, mas morto por dentro, de saudade, de medo, de arrependimento e de confessa loucura.
Sou ansiosa, minha angústia não se limita apenas a mim, eu esbravejo e todos me encaram, estou encenando a peça da minha vida, ele costumava me dizer que eu achava que estava vivendo em um filme.
Muito bem, eu sei que seria uma ótima atriz, porque me convenço e também porque fiz um teste vocacional e artes cênicas venceu, até porque escrever não é considerado profissão no mercado de trabalho vigente.
Entre todas essa merdas escritas nenhuma frase compete com a ficção, pois as mentiras e estórias sempre valem mais dinheiro, porque a minha verdade dói, ainda que seja dita a conta gotas, nunca desmedida, porém sempre condenada à fantasia.
É como se caio estivesse nu em minha cama despejando sobre mim todas as suas palavras fulgurante, me contando segredos grotescos e descrevendo o gosto dos morangos mofados, e falando sobre meu tempestuoso mapa astral aquariano com ascendente em áries, eu cheia de vento e fogo, serpenteando e mirando os genitais dele sem saber mais que sexo é feito de suor. E...

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