Leveza...

Eu sou a única culpada por você não me amar, e entre tantas outras coisas, admito que te amei como ninguém. Como uma chaminé vim tentando expressar o meu jeito único, para que ninguém confunda, para que todos tenham certeza quando me vejam de que sou assim por poder sê-lo.
Todos os meus desejos se realizando e meu contrato quase acabando, meu dinheiro também. Enquanto eu puder comprar livros, serei feliz e repleta das pequenas alegrias da vida como abrir um livro ou sentir o cheiro da chuva. Quero em breve sentir as ondas do mar beijando meu corpo. A liberdade sempre tem um preço caro e uma imensidão tempestuosa, não consigo chegar até ela sem me machucar completamente e sem dizer as palavras certas. Não tenho tempo para entender porque eles se comportam assim, nem mesmo de me fazer observações sérias. Parece que me protejo demais.
Minha voz alta é reflexo das minhas loucuras dissimuladas, mas que são muito reais e contraditórias, por vezes entendo que ninguém me entenderá. É exatamente esse o momento em que toda a loucura transpassa meu corpo, se torna completamente metafísica, se torna imaterial. Fico nervosa e já não perdoo. Disfarço meu fracasso, meu retrocesso, minhas âncoras eu dispenso e nado no mar agitado, vazio, livre. Você está libertado de todas essas coisas que eu chamo de normais, você está inerte de todos esses venenos que eu encontrei no caminho e bebi, sem medo, eu sobrevivo a esses poços fundos. Tudo que eu descobri foi que o fim sempre acontece. Tudo que eu sei é que o recomeço existe. Em meus sonhos sou feliz, para tudo tão premeditado e sensato, no entanto a realidade é um imensidão sem muita solução.
Minhas palavras me aproximam de mim mesma e de quem quiser me ouvir. Não há descanso para corações que sonham. Não se pode dormir nenhuma noite sequer.

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