Arco-íris depois da chuva

Faz tempo que olho esses prédios de vários andares com vista para os morros e fico fumando e pensando sem parar, eu ultrapassei os limites, no amor e no ódio também. Peço desculpas se me interpretam sempre tão mal, têm vezes que as veias se abrem e ninguém nunca aprende com o que nunca aconteceu no fim, por isso exitem tantas cicatrizes.
Eu abandonei algumas coisas e fui até o cerro azul e não havia nada de bom por lá, a água estava podre, mas tomei quantas cervejas eu pude e não desperdicei nenhuma palavra, apenas vislumbrei o arco-íris que estava confrontando a chuva e eu não queria molhar meu cabelo, mas eu achei tão lindo... E o papai noel passou e jogou uma balinha pra mim, eu realmente fiquei com um lapso de memória do teu sorriso. A norte me dá melancolia, mas gosto de divisar algumas partes sem mencionar que já amei e já odiei bastante, porém nunca o suficiente, eu vi as estrelas e me encantei. Me tornei refém de minha solidão, mas continuo boba como sempre e leio milhões de cortázar e fante enquanto eu fumo e tenho em mente que eu minto e erro quando uso o sapato errado e faço milhões de bolhas e quando erro e reprovo em ficção hispano-americana e fico sem nenhum real.
Tenho a sensação de que quando a chuva parar talvez eu possa me reconciliar comigo mesma, me dar uma chance e ficar longe de mim mesma como natureza e identidade, como raiz.
O natal foi como sempre cheio de loucura e família, isso é chato, me envelhece aos poucos como nunca senti, é tanta dor e nenhuma vontade comer tantas frutas e sempre os abraços me afrouxam e devagar me embebedo.
Que ilusão pensar que eu posso de repente não ser eu mesma e ser outra e ser diferente e ser melhor.

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