Anoitecer bucólico em terras desbravadas

Ainda há a noite toda para desesperar-mediante destas vastas apreensões e infinitas dores. Físicas, como unha desgrudada do dedo ou calos nos pés, e espirituais, como a saudade de tudo e a exuberância de uma cidade colonizada por espanhóis jesuítas. Peço para que Pachi pare de bater na minha porta e espero que todas as luzes dos postes se acendam depois de uma aula de gramática de texto da língua espanhola de alto padrão. Estive tentando desconstruir o preconceito sobre o qual a professora falou. Disse que para os brasileiros nada está bom. Mas não consegui, porque meus pés doem e aos poucos meus pesos se acabam. É ruim não ter um gatinho ou cachorrinho para agarrar. É bom ficar livre e ninguém saber quem eu sou e nem sequer interromper, até que a lu da lua se sobreponha sobre o papel em que escrevo. Ninguém jamais me provou que a faculdade de lenguas seria fácil, porém já provei a mim mesma que estou no nível -pensando em espanhol-. Dizimaram um povo para construir uma nação, Será justo, Jesus? Kerouac gostaria da energia deste lugar, talvez ele pudesse sentir Deus. Eu o sinto dentro de mim quando observo o ocaso e desenho minha letra torta nessas linhas retas. Nenhuma gramática se aplica a mim, nem mesmo a sistêmico-funcional. Aqui estou sozinha e tenho tempo para mim, completo, instantâneo. Todas as nuvens escuras baixaram e hoje eu já tomei banho de chuva, confundi contos de Cortázar com Borges, estou enlouquecendo com a solidão. Comprei cigarro argentinos pois é impossível não fumar na solidão. Naquele bairro peruano existe uma feira de pulgas, onde tu é vendido, até pregos e sutiãs usados. Toda a miséria na tentativa inútil dos teus beijos, porque meu corpo falha, mas não estremece, meu estômago se irrita e põe tudo para fora. O perfume dele me irrita, prefiro mil vezes ficar sozinha. Sinto saudades do perfume do rastinha, porque a saudade só existe em português, porque o amor de verdade só existe no Brasil.
A profe daqui ensina literatura maravilhosa fantasticamente, ela simplesmente adere a ludicidade completa e sinestésica que os estudos literários necessitam. Não é uma ciência. É o símbolo da liberdade exata de expressão.

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