Autorretrato maravilhoso

Os dias nublados me deprimem bastante, apenas me sinto feliz vendo o sol passar pela minha retina e fechar meu globo ocular contra a sua luz astro-atômica e não astronômica, porque funciona como explosão em meu olhar, desencadeando a função de combustão. Já não há plantas para fumar e eu sigo refletindo sobre meu ego inflado e meu caráter murcho. Me despedaço nos meus textos surrealistas, adiós lógica y razón, todas as fases da loucura inconsciente dirigidas à minha mente conturbada e minhas visões que disparam nas linhas sobrecarregadas do meu cérebro bastante danificado, danoso, danado, enterrado. Voo em direção à lugar nenhum, nessa escrita automática frustrada, sem fumaça nem perdão. Tudo flui, mas o sentido não aparece, desando no silêncio. Sou uma nova mulher, a inspiração é uma pirada, sem ar, desmotivada. Me expressei muito mal, eu jamais disse o que queria dizer, muito menos ouvi o que deveria. Todo meu corpo se converterá em pó, no dia em que desaparecerei deste mundo ingrato, com posses distorcidas, com uma disposição imediata que frustra a certeza e ceifa a esperança que está amarrada aos meus pés, mas fugiu, como uma onda incontrolável e violenta. Eu jamais edito meus textos, porque eles são metafísicos e não merecem edição alguma, o que está feito está feito, não muda, mas destrói. O renascimento não exite, apenas o nascimento e a morte. Estou intransponível, mas a cada palavra me renovo, transpareço minha liberdade, tenho o corpo cansado e suspenso em uma corda, quero desatar para contemplar o sol mais uma vez dentre este insólito monólogo interior que criei.

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