Folhas verdes de La Docta

Ele se parecia muito com Kerouac com jeito de dizer que o dia seria lindo e todas as coisas que os meninos costumam dizer, um jeito de boêmia, de repente o vi: italiano, peruano e argentino. Disse onde estavam as principais praças e o palácio de justiça, mas antes me pediu seda. Também me mostrou um restaurante peruano muito bom. Eu não tinha nada, então ele me levou a una tranza, onde se vende drogas por aqui. Encontrei porro, hojas verditas y enteras de marijuana. No encontré otro distinto.
Me disse que eu falava diferente e que tenía buena onda.
Me contou do cartón, o nosso doce lsd e me levou até Suipacha, um bairro peruano.
A chica me disse que tinha uma amiga brasilera. Aquela ponte, a altura dos morros depois de cruzar o rio, e o becos com seus labirintos de terra me lembraram o Brasil. Essa América Latina tão pobre e rica de cultura, tão sem dinheiro e vivendo do roubo, todos vendendo drogas para alimentar seus filhos.
Todos aqui são muito educados. Córdoba têm muitas igrejas e muita liberdade, La Cañada é meu guia para caminhar livre por aí... Mais de quinhentos anos de história. Todos os índios construindo tudo de ouro. Todo o povo comechingones morto.
Divido quarto com uma mexicana e com uma uruguaya. A América Latina que nos une tem o mesmo problema, mesmo que nossas nacionalidades sejam diferentes. Os ay, ay, ay mexicanos e as roupas largas e quadriculadas coloridas do Uruguay junto com meu jeitinho brasileiro me fizeram perceber o quão longe estou de meu país. Estão ouvindo Julieta Venegas, existe algo mais latino do que isso?

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