Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Aquela playlist ainda existe publicamente e eu resisto da mesma forma, eu nunca mudei. Sempre, os lugares novos nos fazem partir, e às vezes esqueço o que tenho na pele: estava escrito assim. Eu vim evitando acreditar que as coisas iriam desmoronar, mas eu sabia que a vida iria bagunçar tudo e teus olhos castanhos e sorriso branco eu jamais veria novamente, os personagens da minha trama de repente vão para outras cenas. Tudo que as vagabundas queriam, mas tudo que elas não conseguem, todo o vento despenteando meu cabelo, calculando a conversão de peso para reais. Os dias arrastados e os anos ininterruptos, sendo que parece que vivi várias vidas. Todas as vozes de anjos em meus ouvidos. Eu também merecia que uma carioca me salvasse com a fumaça verde e precisava de uma intimação. A vida me jogando na cara que precisava encarar algumas verdades, eu demorei para entender, alma de aquário voa demais, sempre avisei à todos, Talvez eu tenha ido longe demais, talvez tenha me aproximado demais e a verdade sempre é caustica demais para sua pele frágil.
Parece que todos me avisaram, mas eu sigo nessas escadarias sem fim e em caracol. E eu fiz tudo demasiado. E meu espanhol evolui, mas meu corpo está intacto, solitário, eu furtivamente me esforço para manter a calma e meio ao caos das tuas frases poéticas. Estive pensando em como é possível uma loucura tão grande relevar minha alma. Vomito todas essas palavras para descontar minha liberdade consciente nas ruas dessa cidade. Deve ser difícil ficar perto de mim, é como areia movediça, não se pode sobreviver. Tenho que completar minha jornada, inúmeras coisas pra fazer, eu tenho uma meta a cumprir, números altos em tudo, sou insana e minha cama está cheia de mim.
Eu andei por vários lugares que explorei pelo acaso, os corpos que encostei, eu queimei.
Durma bem com minhas balas mortais cravadas na pele, eu adoro escrever e não sei rimar, sou adicta nas palavras desconexas e não tenho nenhuma métrica. Derretam-se no meu corpo enquanto der tempo, meus dedos impossíveis de controlar, minha boca com cadeados para não me destruir.
Você passando por mim na noite escura, eu sempre estive bêbada, eu sempre te achei inalcançável.

Comentários

  1. Não seríamos nós se não voassemos por grandes imensidões. Foi assim que nós sempre sonhamos, não foi? O mundo ou nada. Ah, pretinha... quanta miséria e rancor existe no mundo. Quanta pobreza de alma. Mas pessoas como nós rondam sem parar, a procura de cigarros, marijuana, pessoas aleatórias com bons ouvidos e vinhos. Ainda bem que existe a literatura. É com ela que minha garganta rasga de fome, na mesma medida que é alimentada. Conhecer a nós mesmos é, sobretudo, um processo lento e que deve ser feito com cautela pra não confundirmos tanta intensidade e vontade de viver com ilusão. Quero muito o real, o palpável, a pele e lágrima. Quero gosto de fumaça e bebida, quero aquele gosto de pés cansados de tanto andar em ruas que depois sentiremos falta. Tenho orgulho do ser humano que eu vejo em ti. Guarda o gosto amargo pra outro dia, hoje, teu café é doce que nem teus olhos de ressaca. Voa!
    PS: me traz uma lembrança, a mais simples e bonita que houver.

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