Jornada perigosa

Te sinto como um vento de tormenta, como uma onda violenta que me derruba numa praia deserta.
Em meio à chuva fina e ao frio, eu caminho com pressa, pressa de te encontrar em algum lugar.
As ruas da cidade sempre movimentadas, cheias de protestos e bombas, querendo espaço verde ou relembrando a ditadura, o clima é sempre de tensão e confusão, mas no fim eles conseguem o que querem nessa luta sem fim. Nossas lutas brasileiras não são reconhecidas e apesar de tantos guerreiros não há avanço rumo à vitória. Nosso canto é ensurdecido pela escolta e ninguém consegue salvar seus filhos da imposição de um governo de ideias retrógradas.
A minha intenção é sempre boa, porque eu gosto de existir nas margens, ainda que os argentinos sejam bastante mal educados, achando que podem mexer em tudo que não é deles, falar qualquer pavada, dizer um chamuyo qualquer, passar no sinal vermelho e buzinar para quem está na faixa de insegurança. O canto dos cordobeses é involuntário, assim como minha irritação. 
Estive pulando sobre essas lajes de uma construção mal arquitetada, buscando um quarto para esconder-me e estudar como ser uma boa professorinha. Querendo encher tudo com fumaça de flores verdes lindas, porém automáticas. Minha potência quadruplica e meus olhos diminuem. Me acalmo mastigando folhas de coca, tenho sonhos nostálgicos e significativos. Me surpreendo com minha discrição e naturalidade perante ao caos. Talvez eu seja como Galeano, talvez eu tenha muitos encontros e desencontros com a esperança várias vezes ao dia, querendo uma latinoamérica igualitária e cheia de drama para continuar a aventura das nossas terras maravilhosas, exuberantes e incomuns.
Te peço desculpas, mas te impeço de esquecer como é brigar comigo, incompreensível, até para mim mesma que fico pensando... Como posso me expressar tão mal a ponto de ninguém entender minha retórica que jamais diz nada que condiz com a coisas que eu disse há cinco minutos e nem eu mesma lembro de tão infinita, afinal meus parágrafos são longos e não quero organizá-los.
Recupero minha técnica, eu espero que ela seja fácil de digerir.
Tentando sempre lembrar o quanto é bom transbordar e o quando dói e causa distúrbio .

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Ultraviolência

Arco-íris e Tristessa