Lacras marginales

Uma garrafa de vodca com suco de pomelo rosado descendo garganta abaixo e todas as mágoas engolidas. Estivemos por las calles na chuva fina, e e a uruguaya novamente, procurando no parque de las heras alguns antros ou boliches, encontramos clubes de metal, de quarteto, eletrônica e de hip-hop, queríamos entrar no babylon, mas não tínhamos nem cem pesos, então ficamos por aí, até que dois filhos da puta vierem silenciosamente e arrancaram e rasgaram a bolsa dela sem nenhuma palavra sequer, covardes idiotas, correram rapidamente e ela gritou, fiquei com pena, pois ela perdeu seu celular e alguns documentos, cigarros e também a confiança nessa cidade, mas a rua é assim, ela sempre te ensina algo. Estivemos nervosas e esse relato expressa o quanto as mulheres são vulneráveis, ainda que seja cedo da noite, mas por estarem sozinhas são as escolhidas para todo o mal do mundo.
Ele me manda ouvir o álbum I want you, do Marvin Gaye, com aquela capa lindíssima e bastante expressiva, e eu me derreto em romantismo, eu me convenço de que os elogios sobre mim vão muito além de minhas pernas douradas, meus pensamentos desfalecem e eu adormeço docemente atormentada. Será um efeito do pomelo? Não fui roubada, mas meu coração foi arrancado.

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