Castelo de cartas

Retomando sobre o silêncio: ele nunca foi tão barulhento nestas noites frias em que apenas consigo dormir às cinco da manhã.
Rastinha, você me decepciona dia após dia, meu amor se rebela, se revela indócil, clima ameno, tempo pesado. Pesadelos, insônia. Você me desmorona como um castelo de cartas. 
Você me arrebata despreocupado com meu sentimento, quem não tem boceta acaba sem argumento. Difunda suas ideias machistas na sua mente insensata, você não é melhor que ninguém por ter tido sexo com muito menos pessoas do que eu. Não sou um puta por isso, e se sou isso tampouco me diminui, você não poderá me ofender pensando no que os outros vão pensar sobre eu estar contigo, eu sou professora, vim para ensinar, língua e sexo, idioma e ação. Você terá que estudar muito para passar no meu exame final. Afinal, somente a prática induz à perfeição, ninguém precisa ser experto para entender que: no amor e na guerra vale tudo. Qual o melhor sexo, o que fiz ou deixei de fazer, à três inúmeras vezes, com ambos os gêneros, você não vai me convencer de que sou alguém ruim por isso. Sente nojo? Bem feito, você destilou elogios sobre ela no passado, o que vai volta. Uma coisa é certa; Eu sou a melhor. Quer que te oferte uma mulher em conjunto, na ação você será derrotado, quero ver dar conta. Você nem sequer consegue se dar conta de que eu sou uma pérola e meu valor existe sim, e é um tanto grande, algo que você nunca entenderá, com seu machismo nato e decretado. Eu preteri essas atitudes. Ser mulher não é para qualquer um, você não faz ideia do quanto custa ou de quanto dói. Atribua o sentido que quiser. Vá até o fim da fila e tente reaprender. Sua nota foi zero, mas te dou outra chance. Será realmente merecida? Estou confusa, pois não mereço desrespeito. Os homens precisam entender que o fato de uma mulher trepar com quinze caras ao mesmo tempo em tal momento não te dá o direito de achar que será permanentemente assim, pois tudo muda, de um segundo à outro. Aprendam que: o direito à liberdade vai existir, independente do seu respeito ou não. Suas atitudes me envergonham, isso sim me causa asco. Tente empatar comigo, vai ser um jogo difícil. Já perdi as contas dos rounds sem sucesso te desaponto para que veja minha grandiosidade e tato logrado a partir de minha experiência. Coisa que você não compensa.
Voltei à vida habitual e dormi apenas três horas. Olhei no relógio. A parada de ônibus estava fria, não existem paradas cobertas em córdoba, apenas placas com os números dos coletivo. Todos fazem fila à espera. Subi ao ônibus lotado, minhas lentes dos óculos esfumaçaram e eu mal pude enxergar, as janelas todas fechadas e os vidros embaçados. O frio fazia doer as costelas. Temperatura zero graus, sensação de menos dois. Não gosto de números, escrevo-os por extenso. Toda a linguística me seduz e eu com pouco tempo aprendo muito, porque observo e emerjo da ignorância.
Logo vou deixar o país, minha colega de gramática comentou o quanto passou rápido, recém estava na primeira semana de aula e tudo vai terminar em breve. Me comprou umas bolachas de baunilha, me contou sua vida amorosa e laboral, falou que já foi à Santa Catarina. Todos os argentinos adorar ir até lá, quando se vai à Florianópolis em época de veraneio se percebe que todas as placas são pretas, argentinas. Eles sempre me pedem para cuidar suas coisas. E eu para revidar a falta de educação ocasional deles, não cuido de porra nenhuma, abandono tudo e sigo meu rumo à lugar nenhum.
Agradeço aos poetas por comentarem no blog, vocês são o sentido direto do meu viver, gracias por la sintonia.

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