O silêncio da rua

Entro no coletivo e o vejo entrar sempre, com seu violão, um músico caminante, que toca Andrés Calamaro e outras canções, sempre com o mesmo discurso decorado. Nunca tenho dinheiro para contribuir. Todos aplaudem. Ele desce na Plaza España.
Há vezes em que um moço vende coisas no ônibus. Também nunca compro, mas observo as tentativas de buscar dignidade que todo carregamos dentro de nós.
Neste feriado, dia da independência da Argentina, vou ver uma orquestra de zamba e desfrutar da arte de graça. O movimento nas ruas é praticamente nulo. A casa está vazia, todos viajaram. Os carros não buzinam ruidosamente como todos os dias. A serenidade impera e as flores acabaram.

Comentários

  1. Só quem é artista sabe que não é fácil deixar cair todas as máscaras e deixar a verdade invadir, com sangue e vomitar tudo que sente. Nós fazemos isso. Pode ser que na maioria das vezes só com nós mesmas, por mais que tentamos essa convivência com o mundo, escrevemos para compreender o que sentimos, para rasgar-se, mas remendar-se, para cravar a faca fundo no peito e depois encher de flores. Só digo que tem que ter coragem. Tu nunca deixaste de escrever, de sentir. E acho que não são máscaras, são só outras versões do que somos, do que gostaríamos de ser, ou qualquer coisa. Vestimos o que melhor nos cabe, não é qualquer pessoa que interpreta a pessoa-artista. Na maioria das vezes sinto orgulho de nós por ter chegado até aqui, sentindo tudo e pagando o preço que for preciso pra viver do que jeito que queremos. Com intensidade, boa e ruim.
    Tô aqui! *:

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