Tango, sangue e revolução

Desmotivação e falta de tempo, por isso não estive aqui por dias longos e quentes.
Os passos na areia da praia jamais ficarão intactos, pois tudo muda. Nossos dias eram quentes e as noites frias, arco-íris o tempo inteiro. Disposição para mudanças, falta expressão nas palavras. Ecos e microfones. Ondas não costumam ter controle, não há simetria nesta praia, caramujos, conchinhas e o sol no céu azul, brilhando. A família sempre é ninho.
Nas noites dormi bem, muitos acontecimentos cansam, um monte de informação, vontade de ação, transgressão, revolução. Falo um pouco sobre a pichação feminista diante da câmera daquele rasta, todos transitam na cidade, são obrigados a ouvir as vozes silenciosas. Algumas pessoas quiseram falar comigo sobre isto: machismo.
Estradas longas e sotaques diferentes, vozes contínuas falando e cantando sobre: racismo. Falas inteligentes sobre: Gays. Não se pode ficar pretendendo o sexo do outro, sabemos que não funciona e não tem razão de ser.
Rimas precisas, o contrário de indecisas, beat extenso e intenso, rápido, luzes em movimento. No fim danças, cabelos encaracolados. Caracóis de conchinha, navios enormes, peixes fora do aquário.
Tente discutir comigo e leia mais sobre isto: história.
Después, tango libre/gay/queer de San Pablo, yo me quedo con Argentina, Uruguay, Brasil, estoy en mi lugar.
Vamos trocar os papéis, você dança com o corpo, não com o sexo. Eu e você seremos sempre diferentes, a dança deixa os corpos quentes, nosso pesos sempre serão variados (e muito desconsiderados). A roupa não dita as regras. Feministas sendo conduzidas nunca terão sucesso. Vamos trocar a ordem da condução. Você, eu. Eu, você. Homem - homem, mulher - mulher. Músicas de origem africana sendo embranquecidas, quase transparentes. Samba gafieira e tango, ditando regras sobre o corpo alheio. Dançamos re mal.
Falando em corpo alheio, aborto é assunto da mulher, não do estado nem da igreja, muito menos de macho.
Cotas existem para: que o seu lugarzinho guardado (que está em qualquer lugar inclusive) seja ocupado prioritariamente por quem merece, porque pode. E não só pode como deve.
Marielles mortas. Tiros, sangue, pele negra, sexo feminino. Eu sou a próxima.
É difícil lembrar que o sangue espanhol busca liberdade, onde ela está? Nas viagens que fazemos em busca do eterno novo mundo: o mundo melhor.

Comentários

  1. Jean Oliveira27 abril, 2018

    Já tava achando estranho tu a tempos sem posta texto, pensei pra mim "O que de interessante eu vou ler agora?"...slá se isso importa pra ti, mas eu leio cada texto que tu posta, apesar da gente não se falar mais, sempre te acharei uma grande poeta :)

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