Sinal indisponível

Sempre escrevo aqui de dentro dos fios e antenas do mundo digital. Esse é outro mundo, onde os conheci. Esse amor tem cura? Eu ultrapasso as linhas e converto planilhas em realidade. Cada hora vale um valor diferente no trabalho. Falei com meus alunos da faculdade sobre minha trajetória. Eu detesto falar em grande público, porque por ficar exposta demais, minha voz sempre treme para falar sobre mim. Exceto quando estou em aula. São reuniões, gravações, formações, aulas, documentos e envios. Nas viagens à trabalho, sempre me divirto e nunca me encarrego de me preocupar com algo diferente de estar confiante. O foco sou eu e meu espelho. Mesmo que certas pessoas do passado me perturbem com sua falta de culpa, só porque a sociedade aprovou suas mentiras. Os hotéis onde vou me hospedar são aconchegantes e divertidos. Tenho um prazer na solidão e anonimato difícil de explicar. Algumas pessoas poderiam dizer que isso é reclusão, mas sinto como mergulho em mar calmo. Gosto de ondas fortes, embora perceba que elas podem me fazer desaparecer. C. desaparece comigo em casa praticamente sempre, despretensioso e calmo em tudo que é usual, adverso à minha ansiedade crônica. Muitas vezes, me vi fora de mim, observadora. Quando coloca para tocar suas canções nostálgicas, adormeço. Raras vezes se enraivece por ciúmes e eu rio, difícil segurar. Quando é porque eu decepcionei, aceito e não questiono. Se é porque me cansei, sou bem pouco violenta, nada acidental, somente arriscado, só mesmo passional. Tenho vontade de contar os meus problemas a P. Tenho certeza que como aquarianos, ele me entenderia. Ou foi tudo ilusão?

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