Noites plenas perdidas no tempo e no espaço
Eu tinha jurado para mim mesma que nunca mais
choraria por isso de novo. E com a minha simplicidade de escrita e mediocridade
sentimental, acabei sendo personagem de um filme daqueles que ninguém sabe o
nome e nem nunca ouviu falar, porque não passa de um drama barato feito pelos
estudantes miseráveis de uma faculdade de cinema desconhecida.
Não há nada mais que eu pudesse fazer, pois a culpa
não foi minha e eu já perdoei, e já não te chamo mais de filho da puta. O lado
bom é que eu sempre vou lembrar os momentos maravilhosos que eu passei contigo.
Mas foi tanta baixaria, que acredito que você já me viu beijando pelo menos uns
três caras na tua frente, ou mais; até garotas, quem sabe. E nesses três caras,
teu melhor amigo está incluído. E a culpa é toda tua, porque eu fiz de tudo
para que nós tivéssemos algum futuro. Eu juro que eu largaria tudo só pra ficar
do teu lado nas ruas por essas madrugadas infindas. Mas agora estou novamente
afogada no mar de sal das minhas lágrimas repetitivas e desnecessárias, porém
inevitáveis. Chega de drama, está tudo bem, acabou como deveria. Na verdade,
nunca acabou oficialmente. Mas acho que eu cortei, antes que você cortasse a
história toda. Te substituí, só para não dar o braço a torcer.
E aonde quer que eu vá, sei que te guardarei em mim,
te vejo na TV, te escuto nas músicas, você está marcado na minha pele. E ainda
que não tenha sido meu primeiro, eu considero como sendo, porque me seduziu de
uma maneira que ninguém nunca mais conseguiu... Teu sorriso, teu jeito, tuas
roupas, tuas palavras, serão sempre as minhas preferidas. E algum dia, quando
eu estiver longe dessa cidade, é muito provável que eu olhe a lua em uma noite
qualquer e lembre as tuas cicatrizes e lembre os teus pedidos e o teu beijo e o
teu jeito de amar e a tua expressão quando fala, quando sorri, quando caminha,
quando fuma um cigarro ou quando pede um cigarro. Eu não sei explicar porque me
sinto assim e porque esse sentimento nunca acaba, mas acho que nunca encontrarei
uma resposta plena, a não ser a de que você é exatamente o que eu menos desejei
para minha vida.
E olhando essas ruas pela ultima vez e esses lugares,
eu observo o quanto fui feliz por pequenos momentos insubstituíveis. Eu te amo,
porra. E eu lamento muito por tudo, eu realmente sinto muito. Espero que essas
ruas, essas construções, matos, pântanos fiquem com nossos momentos gravados
por toda eternidade, porque as coisas que aconteceram nunca mais serão
arrancadas nem daqui, nem de nós todos.
Quero no futuro, não saber mais por onde você anda
(apesar de pensar nisso uma noite ou outra). Quero imaginar onde você está, e
supor coisas de um passado, que provavelmente haverá mudado, porque eu também
terei mudado. Muito.
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