Das coisas que eu não escolhi
Fiquei perto da casa das baratas e me senti no lugar
certo. Minha miséria é luxuosa. Não saí do submundo. Nova York e onde nunca
pisarei. São Paulo é o meu destino. Montevideo
vou visitar e Barcelona quero amar. A marginalidade não é nata em mim e eu sou
um produto-classe-média. Não há o que reclamar além de um corpo invadido por
vírus que deixei entrar inconscientemente. Enfrento meus medos de frente e as
culpas são minhas. (?) Não, as responsabilidades são minhas e apenas uma parcela
da culpa me pertence. Há coisas que não escolhi, mas me submeti calada, ainda
que com traços sutis de revolta. Não me nomeie rebelde. Rebeldes não são fortes.
Eu sou.
Qualquer frase impensada que me digas me cortará como
uma faca. eu também tenho uma faca de cabo branco que carrego nas madrugadas
escuras quando ando sem rumo e bêbada às seis da manhã, mas acho que está sem
fio e continuo beijando meus inimigos. Já fui estuprada muitas vezes. Tenho mania
de agradar quem quer que seja.
Em poucos anos estarei em boas mãos, ninguém vai
precisar se preocupar comigo. Não quero me apaixonar, pois paixão é doença que
demora a curar.
Comentários
Postar um comentário
Argumente.