O peso do mundo e o peso do meu corpo


            Eu estava realmente precisando soltar algumas lágrimas de dor. Tenho dormido melhor que nos últimos meses e me arrependido de tudo que fiz na vida, queria vivê-la novamente e fazer tudo diferente, ser uma pessoa melhor, mas sei que não posso e por isso terei que conviver com meu passado ruim, meu presente melhor que o passado e com a consolação de poder ser uma pessoa melhor a partir de agora.
            De repente me olho no espelho e vejo uma cara feia, um cabelo feio, um corpo inaceitável. Lembro-me das roupas sujas que tenho que lavar, do passado doloroso, dos grandes erros, das dores, das palavras que disse hoje de maneira errada e percebo que não gosto de ser quem eu sou. Posso parecer fútil, mas não sou, porém minhas imperfeições fazem de mim uma pessoa infeliz. Inclusive, essas confissões contradizem minhas crenças espirituais, mas tem horas que a religião não basta porque a realidade nos abate de uma maneira que nos derruba. Fim de linha.
            Tem vezes que perco a paciência com as pessoas e não as trato bem, deve ser por irritação, falta de tato. Vejo tanta maldade no mundo, tantas coisas erradas, e isso me assombra. Os problemas do mundo somados aos meus me deprimem profundamente. Não sou uma pessoa boa, eu sei disso, mas não faço isso de propósito, porque a vida me bate, me golpeia. Não posso evitar. Mas sei que os golpes me fazem melhorar, dar mais valor à vida e às pequenas coisas, mas às vezes a dor parece ser tanta que o prazer já não compensa e não vale mais à pena. Os extremos do prazer e da dor são os mesmos, tem mesma intensidade, mesmo poder de enlouquecer, roubar a lucidez. Carrego os problemas do mundo nas costas e eles são muito pesados, tenho que parar inúmeras vezes no caminho, me perco, adoeço, me regenero...
            Muitas coisas não são minha culpa, são apenas a soma da minha falta de experiência, dos meus genes, das influências, das circunstâncias e das possibilidades. Sou o tipo de pessoa que aproveita qualquer oportunidade, não desperdiça nada, agarro as chances, me envolvo, me jogo, confio. É esse meu erro. Dominó: um erro leva ao outro. Resultado: merdas. Muitas delas... Todas impensadas. “Mas ela parece tão madura!” Sim, mas não é de ferro. É de carne e osso. “Peca também”. Fode com tudo. Maltrata-se “conscientemente sem saber”. Muito contraditório, muito confuso, muito vida, muito eu. Pareço uma patricinha deprimida e drogadinha, revoltada, daquelas que corta os pulsos. Só de pensar que talvez eu realmente seja uma, fico enojada. Nem comprimidos eu tomo, porra!
            É óbvio que existem muitas coisas que são boas na minha vida e não chegam perto dos sofrimentos que outras pessoas passam, mas ainda não é suficiente para mim. Tenho uma longa estrada pela frente e sinto como se estivesse numa noite escura numa estrada úmida e fria pedindo carona. Como no filme Montado na bala. E assim como no filme, já sei que meu final não será muito feliz, afinal, morrerei e pessoas que amo também. A vida é montanha-russa, tudo é momento, tudo vai passar. 

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