Interminado, porque não sei escrever sobre fins

Eu fico estancando meu sangue na própria verdade que a minha mentira construiu e fez de mim uma apologia de sonhos que não se realizarão porque há pouco trabalho e muita preguiça. Muito bem, eles vieram e fizeram tudo surreal. Eu gosto assim, mas à noite já não dá para estar sozinha o tempo todo e alguns me enchendo o saco a ponto de eu explodir a qualquer momento e derramar o sangue que meus ídolos me ensinaram a não ignorar, porque só os ignorantes tem ação no verbo ignorar. Eu insisto em pertencer a um mundo que eu nem mesmo conheço e sigo sendo corajosa para coisas com horário marcado e eu nunca chego na hora e nunca faço as coisas certas. Eu nunca estou em casa, não me ligue mais, porque eu não tenho tempo para quem não tem vontade de atravessar a cidade. Eu não tenho salário, eu não tenho dinheiro para coisas além do meu cigarro. Eu nem bebo mais, nem compro livros. Eu não voo mais céu acima porque minhas asas foram cortadas e as madrugadas me fazem fluir noite adentro e eu preciso parar, eu preciso dormir e o cheiro infiltrando a minha vida e meus vícios em te procurar. Procurar para quê? Eu não preciso disso, mas eu preciso do que isso me traz, porque cama vazia dá frio.
Onde estão meus velhos poemas, os perdi nas gavetas, pastas, meus dólares, meus enigmas, minhas listas de beijos, os textos da máquina de escrever, as letras de música, as partituras, as fotos, não sei onde guardei. Onde está a coragem que eu não tenho, mas já tive porque sabia a hora exata e a sorte me guardava todo segundo livre e agora tenho a liberdade e as pessoas, mas a vontade fugiu. Estou na merda, lendo best-seller porque não tenho livros novos. Onde está Bukowski? Ao lado da cama, livro de cabeceira, bíblia, por isso custo a emprestá-lo, preciso lê-lo quando estou só, eis um pau, eis uma boceta, Camilla Chinaski já não vive em mim porque estou fadada ao fracasso. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Ultraviolência

Arco-íris e Tristessa