Bom humor não paga as contas de ninguém



Existem marcas que não saem do meu corpo e lembranças que fluem como chuva nos meus poros, porque são sempre as distrações que consertam o que queremos muito e inesperadas, aí está: todos os planos completos, planos que nunca são planos de verdade porque acabam mudando a todo minuto. E eu transbordo em mim mesma e o que vazar fica no mundo e se espalha com os excessos dos outros poucos que ousam deixarem se transbordar também, porque só quem transborda pode fazer parte do mundo real, o mundo fora do próprio quarto, o mundo comum de todos “nós”. Pra mim já não faz diferença se vou superar todas as marcas, porque eu já nem faço parte de mim mesma, eu estou transcendendo todos os limites como sempre fiz sem querer e nunca consegui dizer não, porque o não traz arrependimentos maiores que o sim. Quanta estupidez! Sempre caio nos mesmo buracos, alguns são mais fundos, quantas quedas que me fazem dormir mal e acordar pior, e eu caminho sem pressa porque meus objetivos são falhos e eu sei que estou no lugar errado mas não sei sair daqui, eu comprei a passagem de ida e não tenho o dinheiro de volta e amanheço na espera daqueles sonhos que eu tenho desde sempre, mas eu não preciso fazer as coisas que estou fazendo para realizá-los.  Eu só preciso de um pouco de dinheiro pra passagem e preciso quebrar todas as burocracias, quanta merda envolvida nos meus pensamentos de pontes para realizações sem futuro prometido, sem garantias de sucesso. Eu vou morrer assim, sem rumo, que trágico para uma perdedora nata. Meus olhos procuram virtudes que não existem nos outros, eu sou sentimentalista e não há nada pior do que ser uma filha da puta sentimentalista. Nenhuma dessas coisas é capaz de alimentar alguém, qualquer drenagem faria com que tudo evaporasse, pois há coisas que não aguentam ficar muito tempo em pé. Há coisas que no primeiro vento desmorona. Que saudade de quando tudo era fácil de lidar, pra que tanto drama? Meus dramas diminuíram consideravelmente no momento que eu melhorei minha percepção sobre os outros e percebi que algumas coisas nunca mudam e eu também não mudo. Onde está minha parte nesse mundo?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Ultraviolência

Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Arco-íris e Tristessa