Acerca das correntes da liberdade

      Eu não vou chorar, porque supostamente deveria ser uma menina madura. Mas não sou. Sou uma putinha idiota, porque as boazinhas se fodem. De fato. Mas as putinhas se fodem muito mais, porque elas ficam abandonadas no final.
      Eu não escrevo bem, e a paixão que eu sentia na minha vida por tudo, se foi. As coisas parecem difíceis, mas vezenquando sinto pedaços pequeninos de uma felicidade morna, é como sentar num banco de braça na sombra às quatro horas de uma tarde de primavera. Mas o resto é caos e nada basta.
       Os egoísmos me abatem e devoram, não queria estar aqui. O que eu pedia, eles faziam. O que eu peço, ele não faz. Acho que só poderei conhecer o segundo melhor. Melhor em quê?
     É como se eu estivesse jogando minha vida no lixo, vivo neurótica por isso e me afasto de todos, renuncio as possibilidades, morro de preguiça, baixo minha imunidade e me debilito ainda mais. Sinto-me incapaz e não aguento. Às vezes explodo e vejo o quanto caí em visíveis precipícios só para ter o que escrever. Me auto-saboto o tempo inteiro, mas no fim nem escrevo. Sou inútil, não sirvo à ninguém, sou tua escrava e ninguém mais se importa. Qual é o meu problema?
      Sigo falsa como sempre fui, durmo mal e meu corpo padece, desde os dentes até às pernas. Tudo podre e meus genitais soltando pudrido e minha alma vagabunda e sonhadora se perde nos próprios erros, porque sonhei liberdade e agora não sei o que fazer com ela.
        Tenho que ter mais cuidado com meus desejos, porque eles vêm como um tsunami sobre mim e eu não sou forte o bastante, e não é tão bom quanto parecia ser, eu sei que tudo se ajeita, mas nem tudo basta, e eu não posso arcar com as consequências da minha falta de diligência.
      As situações de merda são as mesmas, mas só as pessoas mudaram, e creio que para muito pior. Estou conscientemente acorrentada. Como sou estúpida! Inacreditavelmente estúpida. Eu não faço o que eu quero, mas quero que o que eu faço traga o que eu preciso. E eu choro, pois não aguento. Libertei o pássaro azul do meu coração. Mas no fundo eu sei que sou uma boa garota e que talvez ainda deva acreditar em mim.
        De alguma forma estranha sempre encontramos o caminho, não sei bem qual, mas é um caminho pelo qual vale à pena criar calos nos pés. Não sei direito como consegui chegar à esse ponto, mas acho que o segredo é dormir direito e ter o que comer. O que estraga tudo é o sexo. Fico tão animal que esqueço do resto. Nada mais parece tão importante quanto costumava ser. Tudo foge do controle por míseros orgasmos. É como se eu quisesse ir embora de um lugar chato. Exato. É isso que a vida significa para mim. Acho que não amo ninguém, apenas preciso de algumas pessoas.
        Eu apenas não entendo porque continuo, ninguém me prende à esse lugar, eu deveria fugir, mas não parece que eu vá sobreviver.
          Merda de cidade sem ônibus pela madrugada, merda de corpo que não para de sangrar, merda de faculdade idiota, merda de escolhas erradas e buracos que caí sabendo que eram profundos demais. Nunca escutei os conselhos de ninguém. Por isso estou fodida, mas não completamente infeliz. Tenho que sobreviver sozinha.

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