Smoke guy


O vi de longe, dentre as árvores e a fumaça. Não tinha muita certeza se era ele de fato, pois nunca o havia visto. Caminhei lentamente, meu batom vermelho contrastando com a luz do sol e brilhando na lentidão da tarde. Sentei-me e fumamos um bom. Ele colocou as minhas músicas preferidas para tocar e mesmo assim eu estava longe. Ele foi se aproximando e eu fiquei apaziguada na grama. Ele tirou meu batom. Os cigarros e baseados também o fizeram. A erva acabou, a fome veio.
Ele tomava todas as iniciativas e eu sorria. Fomos até minha casa e me vi frígida na cama, simplesmente não conseguia me mexer. Fiquei esperando tudo passar e pareceram horas... Ele era cavalheiro demais para mim, não fiz trabalho algum, apenas fui servida fartamente, como costumava ser nos velhos tempos.
Eu andava odiando fumar dentro do quarto, só fumava na janela. Ele nunca dividia os cigarros e eu gostava disso, porque na minha opinião só se divide maconha, pois ela é uma coisa que merece ser compartilhada, cigarro não, tinha ciúmes de um cigarro que eu havia acendido.
Assisti futebol na televisão com ele e gostei. Os óculos dele o faziam tão cult que senti saudade de usar também. Ele se deitou por cima de mim e depois foi embora. Encontrei-o no ônibus horas depois. Deus, ele fumava como um louco!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Ultraviolência

Arco-íris e Tristessa