Monólogo interrogatório

Eu estava tentando não machucar ninguém. O tempo todo. Não pude evitar meu fracasso e sucumbi, cortei todos eles, amando de mais, transbordando através dos olhos escorrendo a dor de me sentir má, mesmo quando todos me digam que não sou, que sou normal. A verdade é que eu não sou, meu transtorno me dissolve em dor e tédio. Eu traio a mim mesma toda vez que renuncio meu próprio coração gritando e sempre a beira da loucura, no fim da linha, em cima do muro. Eu gosto quando estou dormindo e não faço mal a ninguém, e minha mãe não sabe que me sinto doente em minha cabeça, e leio virgínia woolf e não me arrependo de nada, porque é por isso que sou quem sou.
Tenho medo de ler as cartas para mim e não sei o que dizer a eles. Todos os outros se tornaram casais ridículos. Queria que os balões dessa cidade levasse algumas pessoas para o inferno. Onde encontrarei as palavras que preciso? Gramáticas e livros e músicas não podem me ajudar e parece que estou pulando de um penhasco, como se faz para encontrar coragem? Todas as vezes que eles tentaram eu deixei e é chegada a hora de eu me atirar, será que isso é justo? O que kerouac faria? Estou disposta e perplexa por mim mesma. Onde cheguei e o que fazer com isso. Todas as palavras que eu disse engasgarão, gosto de falar de amor e sentir o cheirinho que ele sempre deixa em mim, hoje vai cantar na universidade eu não vou ouvir, aposto meu cu que as vadias estarão lá, completamente sem sal e cheias de dst, achando que ele vai cair na delas quando aplaudirem, tem coisa que nunca muda e as vagabundas deveriam aprender ao verem tudo que eu já fiz. O que ainda estou fazendo aqui? Eu não preciso de psicólogo, sempre fui autônoma, mas só de pensar que os remédios escravizarão minha consciência e encontrarei a paz, fico pensando que talvez eu já não seja eu mesmo e serei comparada a qualquer nariz de farinha, porque não serei natural, mas como não tratar uma mente como a minha?

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