Eu não tenho medo do escuro

Chovendo e desaguando tudo em mim, em minha mente relapsa e esquecida, em meu coração insensato e em minha alma sem rumo, e entre todas as coisas, a que eu menos sabia era como lidar comigo mesma, e é um prazer não poder lidar consigo mesma quando tudo que eu quero é sumir.
Medo do abandono gritando pelo meu nome nas ruas frias e nos vidros úmidos, nos cigarros que se apagam na metade, na madrugada que destroça os corações que amam sem saber direito o que isso significa.
Eu não tenho controle sobre mim, queria que todos soubessem. Queria que todos soubessem que eu sou a responsável pela loucura que causo neles, indômita, me autodenomino, me dispo, me perco e não sou mais quem eu era há vinte minutos atrás, mas sempre serei a mesma, quando o caos passar, se alguém me levar pela mão e eu de repente gostar, se eu brigar por ti e perder no final, eu lutei, enfim.
A fantasia que eu tramo é realidade no final, brindando todo o vinho que eu puder tomar, no meio da fumaça que traz minha distorção mais nobre, eu perco o controle e nunca mais encontro.
Quando a distância não mais funciona e a coragem precisa chegar perto de mim, me tomar, me estuprar. Quando eu abrir os olhos e com clareza perceber as cores mais lindas dentro dos teus olhos inocentes, sobre a pintinha do teu olho esquerdo. E não mais temer a morte e nada que seja desumano, quero me acostumar com a revolução, eu não gosto de ouvir palavras frias, estou propensa ao fracasso se me deixar sucumbir.
Todas as coisas boas que eu tinha a vida roubou friamente, mas só as coisas mesmo, eu não tenho medo do escuro, mas tenho medo das palavras vazias, dos prantos causados por amor, o meu amor impuro e cortante, o meu amor só faz mal aos outros.

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