Lápide

As velhas músicas de mala rodriguez tocando e minha cabeça desacostumada, minhas mãos inadvertidas, meus receios, todos desapropriados de mim, porque eu me desenvolvo muito bem, conforme você dê abertura para isso.
Mas minha amiga arco-íris, eu confesso que também tenho sonhado com ele e é muito fácil perceber pelo meu olhar cansado que sonho porque é a única maneira de senti-lo, cada pedaço como se fosse a primeira vez, mas foi a última. Sonhos voam, como pássaros. Não busquei a melancolia, ela que veio até meu encontro, e me descobriu desassistida, embora ágil para me depredar, até meus pensamentos me soam muito mal de vez em quando.
Já mencionei o quanto sinto falta dele e não digo? Depois de noites pequenas sempre vêm noites grandes. Mas depois da morte, não vem nenhuma noite.
O parque anda pequeno pra tanta desgraça e eu confundo teu nome com saudade. De onde tirei tanta loucura?
Pintei ainda mais meu corpo, a mulher perfeita, muerta y mía. A morte dela me doeu muito, mas toda a dor vale à pena. A outra até ficou com ciúmes. Sempre há mais lugar no cemitério, não posso esconder que reservei essa lápide há muito tempo e não escondo isso.

Comentários

  1. Consigo voar quando te leio, Capitu. Sinto falta de conseguir escrever decentemente. Ando tão à mercê que não está fácil dizer como me sinto. Esqueci como se escreve da mesma maneira que Amy às vezes esquecia como se cantar.

    PS: Sinto tua falta!
    PS: Vem pra Santiago!
    PS: Queria ter coragem, dinheiro e disposição pra ir te ver.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Argumente.

Postagens mais visitadas deste blog

Ultraviolência

Me cobraram recato, eu rasgei o contrato

Arco-íris e Tristessa