Peruana

Gosto do efeito que meus atos de fala me causam. Eu estou pronta para as tempestades, e eu reconheço minha totalidade na possibilidade constante de mudança. Acordei e usei a tesoura para cortar minhas raízes. Você já me dominou alguma vez e fez peruana com a fumaça infinita? Me desperta as melhores fantasias, me corrompe das piores formas, e eu acabo rompendo meu celular e perdendo todos os contatos. Sigo sem compreender sua insistência em minha aterradora monotonia. E choro lendo Limite Branco, do Caio, no ônibus. Oscilo e também sorrio, dessa forma os passageiros se apertam tentando impossivelmente se acomodar, nesse caminho cheio de obras públicas na estrada, construções de pontes, todos nós imersos nessa estranha sensação que a noite traz. Desço e corro amedrontada com a possibilidade de. Ser mulher na rua. À noite.
Meu descontrole faz com que os idiomas português e espanhol latinos se misturem, com que eu tenha tonturas. Odeio a forma que aquela professora estúpida fala portunhol, assim como conjuga tudo em espanhol peninsular, aquele antiquado e longínquo idioma.
Você me leva para os lugares mais altos da cidade e tomamos cerveja importada, você realmente parece se importar comigo, embora eu não veja diferença em vida ou morte.
Arranquei meu dente do juízo, continuo sem muita sorte para ser astuta o suficiente. Sigo tendo sonhos com meu antigo colégio de criança, sinto aquela sensação de que o melhor da vida já passou, com a inocência intacta. Acordo e percebo a vida tíbia, o frio melancólico, a inocência arruinada, exatamente como deixaram os índios da América Latina.
Habitar o meu corpo exacerba meus sentidos e confunde minha alma. Mientras tanto, las paredes ignoran mi llanto...

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