Pêssegos podres

A luz do dia invade a janela, bem em frente a uma parede sem janelas. É difícil ver algo à noite, mas consigo ver uma estrela que outra. Parece que estou perto do céu, com a cama tão próxima da janela permanentemente aberta, com a brisa adentrando.
Não consigo lidar com o seu desaparecimento, me acusando e julgando: culpada.
Estou perdendo tudo, a cabeça, a hora, as coisas, principalmente o controle. Flutuando e pensando em por quê todas essas coisas aconteceram e toda a responsabilidade ser minha.
Lua minguante, fim próximo. Eu vi nas cartas o esquife.
Sua voz me dizendo que eu sou ruim. Cuidado com o que diz sobre mim, minha mente é um gatilho para minhas palavras. Você faz com que meus textos sejam tristes e minha eternidade seja à sua espera.
Que intimidade despedaçada, como uma eterna tristeza guardada em uma gaveta. Esses lamentos ninguém escutará, pois é difícil falar de si. Nada além de uma fruta podre, que não serve mais.
Jamais seremos aquilo que dizem que somos. Não existo sendo sua suposição. Você nunca poderá me bloquear da sua vida. Tudo é como você quer. Toda sua violência me destruindo, porque afinal é tão fácil manipular alguém sobre quem você sabe tudo, alguém que quis te contar tudo. Você pensa que sabe, mas na verdade não sabe o que está dizendo. Seus olhos me olhando e recusando me amar. Ponto final. Me abrace pela última vez e me suje de tinta, você tira minha respiração, estou tão longe do seu coração que pareço estar morta. Você me abandonou nessa estrada fria e suja, e pensa que me deixou bem.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A árvore verde e boa

Um estranho familiar

Sobrevindo colorido