Ponteiros e onomatopeias

Parto no último ônibus da noite. Está vazio. Sou a última a descer.
Quanto tempo demora para que o tempo perdido acabe de uma vez?
Muitas vezes eu choro no meio da madrugada, a rua está fria, no meio da rua está alguém fazendo algo errado, realmente não há paz urbana, porque a paz não faz parte da cidade nem um minuto sequer. Gritos, substâncias venenosas, concordamos todos, gostamos do que nos faz mal. Lixo revirado. Nenhuma transformação pessoal, apenas o transtorno de personalidade de um amigo que é tão inteligente, mas. Isso.
Acendi um incenso de patchouli porque produz um efeito de estimulante mental em meu (in)consciente. O ambiente envolto em fumaça e eu precisando de inspiração. O relógio não para de transcorrer. Segundos, minutos, horas.
Pesquisas, leituras e principalmente escritas. Digitações, tec-tec-tec...
Bebo gim tônica e a névoa envolve completamente a paisagem urbana, tudo está raso. Em meio ao nevoeiro estamos sempre nós, um copo e um isqueiro.
Meus sábados estão tomados de trabalho recuperado. Dias de copa. Ônibus permanentemente cheios.
A umidade relativa do ar realmente alcança tudo, bem como dizia Virginia Woolf. Nada escapa de contagiar-se com a água.
Agorinha mesmo percebi que mês passado, em maio, o blog obteve 69 visualizações. Que estatística incrível.
Literatura argentina e uruguaia na mochila será crime, se houver abordagem?

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