Capítulo 2: O florecer
Quando
criança, Martina sempre foi questionadora e astuta, cheia de amigos e uma boa
aluna. Filha de Luana e Carlos, nasceu, cresceu e estudou em Porto Alegre. Seus
pais também viveram na mesma cidade, sendo os tipos de pais que sempre deram
liberdade à Martina, uma liberdade que permite aprender só e com os erros. A
cultura astrológica fez parte de sua vida desde a infância, pois sua mãe foi a
astróloga que influenciou Martina a estudar sobre a relação dos astros com as
vidas humanas. Observar sua mãe fazendo mapas enormes em telas nas paredes,
enchendo-os de anotações e símbolos, para fazer previsões sobre as pessoas, é
uma cena que se repete na memória de Martina, como um eco que ressoa no vazio
das mais tenras lembranças. Ainda assim, ela teve traumas com os quais não
conseguiu lidar pelos anos que prosseguiram. Ser oniromante lhe custou muito
estudo e prática. Além da curiosidade sobre os planetas e os quatro elementos,
há algo de que Martina bem se recorda: as crises de paralisia do sono após a
morte de sua mãe. Um dia antes de sua mãe ser arrastada por um carro numa
rodovia próxima à Porto Alegre, Martina teve o sonho lúcido de que um enorme
gato preto a sufocava. Na hora, ela ficou minutos sem poder mover-se, sua
respiração foi ficando cada vez mais difícil, seus olhos dispararam em direção
ao gato, que sumiu depois que ela acordou. A insônia veio junto com o tempo,
pois o medo de dormir para não encontrar seres mágicos, que buscavam sufocá-la,
faziam com que ela evitasse, ao extremo, dormir, até quando seus olhos pudessem
resistir. A habilidade de ter sonhos lúcidos é o caminho para entender seu
próprio mapa astral e conhecer seu futuro.
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