Capítulo 3: A sociedade


O primeiro contato de Martina com a sociedade foi em uma escola particular e central, equipada com alto nível de recursos. Aprender sempre foi fácil para ela, uma menina inteligente e curiosa, que vivia observando as estrelas e os astros. Os colegas dela eram, também, grandes amigos. Fazer amigos é uma das grandes facilidades de Martina. Na escola, ela aprendeu sobre o sistema solar, o que despertou seu interesse para outros temas que dependem do universo, como a astrologia e o zodíaco. Nada nunca a tocara tão fundo, a ponto de que ela, ainda nessa época, perguntasse a colegas, professores e funcionários da escola, o tempo todo: “Qual o seu signo?”.
A diretora, Cristina, a conhecia pelas suas notas exemplares e por suas conversas incansáveis sobre datas e horários de nascimento, para depois trazer, à sala de aula, os mapas astrais produzidos com a ajuda de sua mãe, uma grande estudiosa de astrologia, e seguir ajudando as pessoas a se conhecerem melhor.
De repente, Cristina, sempre preocupada e cuidadosa com os alunos da escola, notou a mudança de Martina. Ela costumava ser falante e vívida, mas havia se tornado introspectiva misteriosamente, como se um véu a impedisse de ver o mundo e relacionar-se com as pessoas. Havia passado três anos passado depois da morte de sua mãe. Nada mudara. A adolescência apenas a havia transformando em uma menina de quinze anos tão quieta, que era difícil perceber sua presença.
A única saída, após perguntar aos professores e aos alunos e eles mesmos confirmarem a mudança de Martina, foi falar diretamente com ela. O corredor estava vazio. O sinal tinha tocado e não havia ninguém para interromper a conversa. A diretora Cristina a chamou:
– Martina! Como estão as coisas? Existe algo que a escola poderia fazer para te ajudar? Tu estás tão distante, tuas notas estão indo mal...
– Não. Eu apenas não tenho conseguido dormir. Tenho sonhos estranhos. Sinto medo da morte.
– E se eu marcasse uma consulta com a psicóloga da escola? Tenho certeza que ela pode te ajudar.
– Não acho que ajudaria, mas posso tentar ir.
No dia seguinte, Cristina resolveu marcar uma conversa com a psicóloga e com o pai de Marina. Ele disse que não reparou a mudança da filha. Ela gostava de ouvir música alta, de fazer desenhos obscuros, mas tudo estava normal. A adolescência era assim mesmo, os jovens não queriam falar com ninguém, ficavam sozinhos no quarto, pensando sem parar. Então, a psicóloga respondeu a ele que sua filha poderia estar sofrendo por algum trauma que a faz ter sonhos que podem refletir-se em seus desenhos. Para ela, seria interessante conhecer a paciente e os desenhos.

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