Capítulo 5: O crime


Sair com sua mãe sempre foi uma aventura para Martina. As amigas que tinha, os lugares que ia, nunca eram iguais, eram sempre uma grande novidade, principalmente para uma criança da idade dela: florestas, casas obscuras, lojas esotéricas e livrarias místicas. Todos esses locais eram permeados pela magia, ainda mais desde o olhar de uma criança tão curiosa.
Naquele dia, as duas foram à uma livraria incomum, onde não se vendia livros de diversos gêneros, mas sim sobre esoterismo. Ao chegar na loja de livros, os olhos de Martina brilharam ao observar as enormes estantes que se localizavam nas paredes e também no meio do salão, formando corredores intermináveis de livros.
A pequena Martina corria sorridente, perdida no meio dos livros, enquanto sua mãe se interessava por livros enormes de capas pretas e dura, cheios de símbolos e gravuras que ela não conhecia, mas sentia o quanto eram valiosos e únicos. Ela sabia que se tratava de livros que não todas as pessoas do mundo precisavam ou tinham acesso.
Lembrava que em sua casa havia muitos desses livros misteriosos e indecifráveis, falavam de plantas, de planetas, de cristais, de sentimentos. Era instigante para ela pensar que sua mãe não era uma mulher comum, interessada por coisas comuns. Luana era realmente filha da lua, vibrava magia das suas mãos delicadas. Ela pensava que, por ser filha de Luana, possuía o legado de continuar a tradição: ser bruxa. As mulheres bruxas eram muito mais poderosas que as outras mulheres, pelo que escutava quando sua mãe conversava com suas amigas.
Admirada pelos livros, Martina retirou um pequeno livro preto de uma das estantes, encontrou-o na parte inferior, escondido em meio a tantos livros grossos. Na capa estava escrito: Livro da sorte. Ao abri-lo, percebeu as belas gravuras em preto e branco e notou que o livro possuía dois tipos de leitura. Não importava o quanto ela o virava sempre havia dois lados, um deles ficava de cabeça para baixo. Que estranha inversão, que enigmático! Incrédula, Martina resolveu colocar o pequeno livro no bolso e o levar consigo. Ninguém notaria um objeto tão pequeno e leve como aquele, nem mesmo sua mãe ou a vendedora.
Em casa, na solidão e tranquilidade de seu quarto, Martina desvendaria aquele livro de respostas e aprenderia como utilizá-lo para conhecer o futuro que estava reservado para ela, sem que ninguém soubesse. Por isso, jamais poderia haver pedido à sua mãe que comprasse o livro para ela. Sentia a necessidade de se conectar com o místico sozinha, sem ser interrompida. Ela queria questionar aquele livrinho. Suas percepções sobre o futuro dependiam disso. O que a sorte reservaria à Martina?

Comentários

  1. Sabe faz tempo que não te achava na internet 😢
    Mas muito tempo passou e aquela saudade sempre ficou,nunca entendi.pq não consegui lhe esquecer e sempre quando te acho quero apenas saber como você está....

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Argumente.

Postagens mais visitadas deste blog

A árvore verde e boa

Um estranho familiar

Sobrevindo colorido