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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Fase 7: Defesas psíquicas

Existe uma fase na qual vou chegar e romper este ciclo de abandono. Não posso chegar na próxima, preciso parar nesta sétima, porque a oitava é violenta demais e volta à primeira. Congelar o luto em loop e entrar em colapso outra vez. A inseguridade me consome a cada segundo. Vou pedir a ele que me deixe voar. Ele garantiu que não virá me perseguir. Não estou disposta a recomeçar. Picos de dor seguido de um vazio aniquilador do senso de si mesmo. Sempre estou à beira de. A ponto de expulsar o laço simbólico. Não fui eu quem jogou tudo fora sem pensar em consequência alguma, embora fique parecendo que é tudo culpa minha. Claramente, estou em outro momento e não existe atrás, só se pode ir adiante. Se eu fizer isso sozinha, talvez consiga quebrar esta cadeia de relações que parte o coração sem trégua. Quase véspera de ano novo. Não há lugar para escapar de mim mesma ou da vida que construímos juntos, essa que não significa nada e você destruiu sozinho. Ainda que eu tenha a certeza de que ...

Substantivo feminino

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Já passaram os dias em que eu amanhecia em um bar, onde me sinto mal por ficar presa em minha imaginação em modo repetição. Enquanto muita gente (re)acessa este endereço virtual com nostalgia, eu estou com a minha mente em velocidade máxima. Preciso escrever horas por dia de texto acadêmico para cumprir o necessário, enquanto o Estado, com maiúsculas, não me paga nada por isso. Ele reproduz ódio e sempre teve aversão ao tema gênero. Ele quer que muitos de nós estejamos mortos, em última instância. Eu torço pra que ele me chame e eu seja nomeada professora do Rio Grande do Sul. Isso não é um transtorno, é a minha personalidade volátil. Eu tenho um prazer secreto com as palavras: quero saber como elas funcionam, quais efeitos elas podem ter. Eu não quero analisá-las e esquecê-las depois. Eu consulto um dicionário online para me sentir bem jogando com elas e tentar saber o que elas gostariam de dizer. Elas têm funções que eu não consigo controlar. Se ele quis jogar esse jogo sem regras, n...

Aparelhos Repressores do Estado

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Acendi uma vela para que nossos pedidos se realizassem no Natal deste ano, ainda que fossem pedidos difíceis de alcançar. Mesmo assim, estávamos quase tocando nos sonhos que pensamos desde jovens. Ele me conta sobre tudo que perdi nos últimos anos. Eu adoro saber dessas histórias sobre o que aconteceu por essas ruas, ainda que não seja uma contadora boa, eu sempre preferi ouvir. Eles me perguntam sobre os textos, é impressionante como ninguém esqueceu das linhas que escrevi e ainda me procuram depois de aparecer em pensamento. Eu preciso cansá-los com as armas que tenho: o corpo, categoria discursiva. Corpo histórico, político, social. A palavra: tudo que tenho sem nunca haver completude. Ainda que as palavras soem duras, sarcásticas, mentirosas ou invejosas, elas são verdadeiras. Muitas são palavras de amor misturado com uma dose exagerada de rebeldia. Isso é ilegal? Eu não tenho absolutamente nada em ficha criminal. Esses fantasmas do passado... Nesses filmes onde aparecemos eu e voc...

Libre e inflamável

Relação de dependência, exatamente como a da América Latina com os Estados Unidos. Todo poder para se libertar existe. Onde está escondido? Queria ser livre como Venezuela e Cuba. Acender um cigarro depois de dois anos e perceber que tenho muita intimidade com ele. Exatamente como tinha com você antes de deixar de acreditar que você era capaz de amar apenas a mim. Mesmo que não haja nada de errado comigo. Quase nada. Não importa o que você faça. É altamente provável que eu vá embora logo. Eu jamais voltarei desta vez. Eu não te faço bem e você nunca me fez bem. Jamais deu certo como nos filmes. Olhar para a porta do banheiro quebrada e violada no pátio é uma marca de destruição que eu não tenho forças de encarar. Eu tive sorte de ler todas aquelas coisas românticas entre vocês dois. É mesmo perfeita a sensação de ter que compartilhar você com ela e não sei quem mais nessa cidade estúpida e quente. Por isso, rasguei nossa foto do porta-retratos. Não queimei. Ela não combina mais com o a...

Despersonalizada

Todas as blogueiras sabem que os blogs escritos estão fora de moda. Todos desta cidade sabem que estou em outra direção e em alta velocidade. Parece impossível frear. Os vídeos estão em alta nas redes sociais e os escritos são apenas legendas. Ainda bem que as músicas podem estar nas fotos que postamos. Se eu não posto, não existo como pessoa. Sou anulada por tempo indeterminado. As palavras estão me consumindo. Elas estão transbordando com minhas lágrimas que pingam no caderno, no teclado, na mesa, na cama As retrospectivas nos aplicativos estão explodindo todas as minhas memórias e já não há um dia sem sofrer. Isso é mesmo sofrer ou deixar-se levar pela correnteza? É tão cansativo jogar um jogo de azar e só perder. É tão bom ser cada dia a mais diva sem precisar ser a mais nova de todas, só a melhor em todo o resto. A verdade é que faz sentido pleno que eu fale em público sobre inteligência emocional. Eu sei tudo sobre isso, mesmo que não saiba praticar quase nada. Aquela nossa foto ...