Substantivo feminino


Já passaram os dias em que eu amanhecia em um bar, onde me sinto mal por ficar presa em minha imaginação em modo repetição. Enquanto muita gente (re)acessa este endereço virtual com nostalgia, eu estou com a minha mente em velocidade máxima. Preciso escrever horas por dia de texto acadêmico para cumprir o necessário, enquanto o Estado, com maiúsculas, não me paga nada por isso. Ele reproduz ódio e sempre teve aversão ao tema gênero. Ele quer que muitos de nós estejamos mortos, em última instância. Eu torço pra que ele me chame e eu seja nomeada professora do Rio Grande do Sul.

Isso não é um transtorno, é a minha personalidade volátil. Eu tenho um prazer secreto com as palavras: quero saber como elas funcionam, quais efeitos elas podem ter. Eu não quero analisá-las e esquecê-las depois. Eu consulto um dicionário online para me sentir bem jogando com elas e tentar saber o que elas gostariam de dizer. Elas têm funções que eu não consigo controlar.

Se ele quis jogar esse jogo sem regras, não vai mais apostar, porque vai perder. Dessa vez eu não estava errada. Juro que com a idade que tenho, não consigo mais mentir. A verdade é que não há de mal em amar e sentir. Nem mesmo em procurar aquele que sempre me faz bem (a mais de quinhentos km de distância). Ele me dá saudade. substantivo feminino singular. 1. Lembrança grata de pessoa ausente, de um momento passado, ou de alguma coisa de que alguém se vê privado.

Provavelmente, eu esteja bem mais no fundo do que eu pensava. Mas tive sentimentos profundos por você, desde muito antes, no início da década passada. Aqueles olhos (sem esquecer a pintinha) são para se perder e nunca mais se encontrar. Eu sei que tudo mudou e a vida nos arrastou. Mas ainda somos os mesmos em um imaginário romântico. Como ter certeza?

Você disse que eu sou atenta aos detalhes. Eu lembro daquele verso de amor de memória. Você vai muito além, porque consegue lembrar de coisas tão fortes que, se fossem mencionadas novamente, afetariam muitas almas que estavam tentando descansar naquela noite estrelada e silenciosa. Confesso, estou viciada em você, fanática.

Eu não busco romances, mas eles podem aparecer quando quiserem. Nunca fui uma mulher fechada, isso não pode fazer bem a ninguém, porque aprisiona as palavras e, consequentemente, aprisiona a mente. Eu sei bem onde estou, só havia me esquecido por não pertencer a vida de ninguém. Logo vou conseguir estar totalmente livre. A má notícia é que estou viciada em cigarro eletrônico. A boa é que é facílimo entretê-los o tempo todo com a caixa de mensagens explodindo. Vários deixados em lido, alguns sem poder seguir. Uso o dicionário para falar em francês. Esse repertório é como um cardápio de compras online. Qual a localização? Enquanto sinto fome, solicitam fotos e videochamadas. Vão precisar acessar meu Only Fans, porque eu preciso viver. Mas eu não sou a protagonista que vive em meu primeiro romance que será publicado no próximo ano.

Adoro lembrar que ele achou que era o bom fazendo qualquer coisa, se sabe que sou uma profissional da sedução e da pesquisa. Ele não aprendeu nada comigo sobre elas, porque desperdiçou tempo sem dividir nada. O pior: os machos creem que nunca vamos descobrir ou que podem mentir sem consequências. Todas temos sensibilidade emocional, essa é a minha vida. Como um jogo de tabuleiro, eu movo as peças de lugar. Só eu tenho poder para isso. Queria que ele tivesse o azar de ler todas as minhas conversas (como li as dele) para perceber que eu estou em outro nível de despertar emoções. Inatingível para quem não tem coração. Se não procurar não vai achar. Ele é cheio de medos e conservadorismo e me culpa como se eu fosse o problema.

Ardendo em febre, eu escrevi bastante, mas pouco me centrei em mim mesma. Um professor disse que não posso escrever tanto assim, porque depois não vão querer ler minha tese quando ela for publicada. Mas essas letras são como uma torneira aberta, como uma cachoeira, como uma onda violenta. Imparável, indomável, indômita. Ele disse que sou muito boa, que está esperando que eu brigue com minha orientadora para me roubar. Vou deixar para falar disso depois e falar do que importa: eu emerjo e tudo queima. Eu quero amanhecer com você em uma praia, se puder ser com uma bala, THC e álcool na corrente sanguínea, melhor para nós dois aquarianos inquietos e livres.

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