Despersonalizada
Todas as blogueiras sabem que os blogs escritos estão fora de moda. Todos desta cidade sabem que estou em outra direção e em alta velocidade. Parece impossível frear. Os vídeos estão em alta nas redes sociais e os escritos são apenas legendas. Ainda bem que as músicas podem estar nas fotos que postamos. Se eu não posto, não existo como pessoa. Sou anulada por tempo indeterminado. As palavras estão me consumindo. Elas estão transbordando com minhas lágrimas que pingam no caderno, no teclado, na mesa, na cama As retrospectivas nos aplicativos estão explodindo todas as minhas memórias e já não há um dia sem sofrer. Isso é mesmo sofrer ou deixar-se levar pela correnteza? É tão cansativo jogar um jogo de azar e só perder. É tão bom ser cada dia a mais diva sem precisar ser a mais nova de todas, só a melhor em todo o resto. A verdade é que faz sentido pleno que eu fale em público sobre inteligência emocional. Eu sei tudo sobre isso, mesmo que não saiba praticar quase nada. Aquela nossa foto foi despedaçada por mim. Tento suavizar com o uso da passiva para diminuir minhas culpas, esse é o uso da linguagem simples. Ainda sou uma adolescente quando se trata de relações pessoais de todo tipo. Todos aqueles sonhos que inventei para ele, já atirei no lixo. Alguém pode me dizer como se cura isso? Aqueles traumas antigos não existem mais. Eu e eles somos todos iguais. Nós ficamos obcecados e depois nos separamos, como se algo nos repelisse. Porque só podemos estar com quem se deixam obsesionar. Pena que eu o tornei igual a mim. Isso não estava no roteiro, mas a história não vai mudar como eu esperava. Ele não tem nada a ver com quem fingia ser. Ainda que siga fingindo, para mim a atuação não funciona mais. Eu não posso fingir o tempo todo que tudo está normal. 2 anos não são 11. O passado não é o mesmo que o futuro. As mentiras não tem nada a ver com a verdade. Uma diferença de 4 anos não é o mesmo que uma de 13. Eu tenho todas as provas na minha memória. Eu disse a ela tudo que você me disse com sinceridade. Inclusive ofensas que não posso mencionar. Todos os escritos nas paredes. Os ofensivos em banheiros e os que invocam gênios do discurso no quarto. Os que tem palavrões e os que tem poesia. Nada daqui é meu e todos os quadros que tem meu rosto ou da Marilyn, eu guardei. Não suporto ver nossas caras de mal-amadas e sonhadoras. Essas histórias sempre acabam mal. Quando eu conseguir lançar meu livro, serei uma pessoa de verdade. Não uma alma perdida que foi dispensada por motivos desconhecidos, muito além da minha loucura de personalidade. Eu sou sim uma pessoa inteira e há várias pessoas que fazem parte da minha vida que tem seus foguinhos dentro de mim brilhando sem parar. Elas me mantém viva e faz com que eu nunca em hesite em seguir em frente mudando tudo de lugar, sem jamais ficar apegada a algo. Esse também é meu papel cênico. Todos sabem que meu coração sempre foi despedaçado. Desculpe, mas eu fiquei muito grande para ele. Toda a minha intuição é certa, eu nunca deixei de acreditar que havia algo estranho. Eu sou capaz de saber de tudo com a ajuda de entidades que ele não faz a mínima ideia. Na realidade eu deveria ir embora, como ele me advertiu.
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