Feliz nova rebeldia
Quero começar dizendo que a verdade aqui não é factual, é a verdade das emoções livres que poucos sustentam. Era o primeiro dia do ano, quando fui apressada e sozinha de caminho a uma estrada de terra pela qual eu provavelmente já havia passado, vindo da BR-158, certamente muito perto do riacho no qual joguei a aliança que você me deu num passado distante, quase indolor. Percebi que não importava o que de pior poderia acontecer. Eu só precisava desaparecer. Desativada do virtual, achei sinal para te pedir perdão. Por uma sorte extasiante (um resto de MDMA, muita cannabis e alguma coca), você ainda estava lá, não que estivesse esperando por mim, mas porque estava (hiper)conectado e vivo. Não bastava estar respirando? Já que ninguém pode, nem mesmo alguém com a minha insanidade, conter as barreiras que querem criar ao meu redor. Você fez a mesma coisa que fez no passado, me segurou no ato da queda. Você havia dito que da próxima vez não estaria lá, mas eu te cativei e você foi arrastado, mesmo sem estar de corpo presente. Antes de tudo, continuando o episódio de ano novo, eu estava observando os movimentos de desprezo dele contra mim desde a virada do ano, somente nós dois (sem conexão) no momento em que estouravam champagnes e os animais se escondiam dos foguetes, durante uma noite na qual eu estava sendo controlada pelos seus olhares violentos que me alimentam, mesmo quando sou forçada a socializar com outra pessoa feita de idiota permanentemente. Não quero ser uma mulher como ela. Sobre as mensagens que a menina respondeu em atraso, preciso dizer que isso me diverte e não me apavora, seu modo de escrever é estúpido e me faz rir, não parece do mundo real, não é algo que soaria bem nas ruas. Todas as minhas coisas estão bem organizadas em pacotes ordenados, como a boa resolvedora de problemas que sou. É humanamente possível ser forte o tempo todo, como você me pediu? Jamais TPB em versão moderada, mas aguda em abandono, vai experimentar essa sensação. Ainda bem que não sou como ela, pois tenho espelhos sobrando, além de meus álbuns preferidos para ouvir e escapar incessantemente, como seu vídeo sem censura (e outros que tenho salvos também, posso admitir?!) no replay nas tardes intensas de calor, no enlouquecedor desejo de te ter e de desaparecer. Comer é desnecessário quando todos os meus pedacinhos estão no chão sujo. Me custa muito juntá-los, limpá-los e colar cada um deles. Vai se tornar uma estrutura frágil e nunca inquebrantável, por mais que eu receba ajuda. O sintoma fala onde a palavra falha, numa comunicação silenciosa que ameaça (me) matar.
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