Águas e Arco-Íris
Dessa vez, conseguimos nos reunir em família. Era início das férias e fomos na mesma direção, passamos pelo caminho das origens até chegar à terra dos poetas. Sempre soube que, depois da chuva, o arco-íris apareceria. Foram poucos os dias, mas felizes as tardes com ela. Seus olhos brilhantes acendiam em mim a vida pela paixão, se existia outra forma de vida, era desconhecida por nós duas. Acho que confundimos a intensidade com a qual lidamos com as pessoas, quem sabe isso não seja amor, só confusão. Somos daquelas que sempre deram sentido mais e sentiram demais. Na tarde escura, no quarto em que fomos dormir depois de almoçar, nossas lágrimas de gargalhadas ganhavam das lágrimas de tristeza ou vontade de mudar tanta coisa que poderia ter sido. A verdade é que não houve outra escolha possível, mesmo que houvesse outra opção qualquer. Gostamos de saber até onde podem ir por nós, porque vamos até o final pelos outros, ainda que de um jeito meio torto. À caminho do campo, passamos pelo rio devastado pelas enchentes e vimos uma cobra. Ela era quase imperceptível, mas estava lá. Depois, subimos o morro e percebemos que isso não era nada difícil, depois de tudo que vivemos até hoje. Muita gente quis nos derrubar ou nos ver separadas. Mas estávamos sem fôlego, contemplando a paisagem. Tomamos drinques de todas as cores à noite, na beira da piscina. Nossa relação não muda, ela só melhora, como uma bebida que amadurece com um sabor único do tempo. Aparecemos bem nas fotos, até passeamos pelo centro. Fomos até a estação do conhecimento, o sol foi desaparecendo tão rápido. Adoramos ler a pichação "não se prenda a pessoas passageiras", nos identificamos e sorrimos, porque certamente não éramos as únicas a sentir o êxtase de existir em um mundo onde quase nada é real. Parecia mesmo que viveríamos assim, moraríamos no campo e todos os problemas do mundo despareceriam. Fomos ver aves e peixes na universidade e fomos ao parque em seguida, passamos por uma ponte que balançava com nossos passos. Eu disse a ela que não se preocupasse, porque eu nado como uma sereia. Tomamos mate, vimos poucas pessoas, ouvimos os animais fazerem seus sons que eu não sei nomear de memória, mas que mostravam que havia uma vida incontível e impossível de renunciar acontecendo neste verão.

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