Vem cá
Minha casa está cheirando a fritura e a cigarro. Deve
ser um mau sinal para minha saúde. Mas quem disse que não se morre de amor?
Andava esquecendo até mesmo das regras ortográficas de tanto que ando longe da
tua simpatia não declarada e da tua doçura inconstante e virgem do meu amor.
Tento assistir televisão, mas a crise mundial já não me interessa tanto como a
violência das ruas e da tua ausência sem fim. Por que será que sou assim, tão
louca? Tanta gente engajada em coisas sociais fazendo arte e eu tentando me
desafogar das minhas fúteis tristezas através de uma arte tão melancólica e sem
serventia, tão diferente da tua música que quer oferecer fé e uma sociedade boa
de viver. Tua arte é rica e produtiva, tu te focas na realidade e eu nos sonhos.
Desculpa se meu jeito não é bem o que tu procuras, afinal, quem procura
romantismo num mundo como o de hoje? Atropelo o feminismo e o machismo com
minha escrita sem sal e sem boa autoestima.
Eu só andava buscando uma maneira de te aproximar de mim de alguma forma
e de te dizer o quanto eu quero isso. Para muitas pessoas, isso não é problema,
porque estamos numa época em que se diz o quê se quer na hora em que se bem
entende, mas ainda sim é difícil para mim, porque a última coisa que eu quero é
te afastar de alguma forma, porque eu tenho medo da falha. Preciso de um plano
perfeito para te fazer perceber o quanto eu te quero bem e o quanto posso te
fazer feliz também. Minhas poesias de amor poderão ser todas tuas e aqueles
filhos da puta eu quero apagar. Apagar não, porque as minhas lembranças com
eles são boas, mas quero colocá-los em uma gaveta e deixá-los lá, para parar de
machucar.
Não pretendo te usar de nenhuma maneira, mas eu vi
alguma coisa em ti que me atrai, um brilho juvenil e puro, que eu nunca tinha
reparado em ninguém antes. Eu sei que tu nunca me maltratarias, tu és incapaz
disso, eu sei. Mas mesmo assim, eu tenho medo do “não”. Meu coração já está
muito despedaçado, eu não aguentaria sofrer de novo. Sei que por enquanto,
nossa história é impossível, mas também tenho muito medo de quando eu me
aproximar de ti fisicamente, tu já não estejas desacompanhado como agora. Quero
te fazer disposto ao meu amor. Também preciso dizer que sou imperfeita. Eu
falho até sem querer e eu quero muito de ti. Quero muito te falar de amor, mas
não sei como, não faço ideia. Queria fazer isso fluir de algum jeito, mas tu
não me dás chance. Preciso encontrar uma maneira, logo. Mas me divido entre a
espera e o avanço. Não quero te afastar, mas se tu quiseres vir comigo, te
mostro um mundo que nenhuma outra garota seria capaz de te oferecer.
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