Sem válvula de escape



Um amigo certa vez me disse: “É melhor se apaixonar por algo na vida do que por alguém.” Eu ando desapaixonada. Não há mais nada que eu realmente ame, que eu realmente seja viciada, nem mesmo o cigarro me traz o mesmo efeito de antigamente. Estou em paz e não gosto disso. Preciso de algo que me faça sentir viva e talvez essa falta de entusiasmo seja culpa da letargia que as férias causam e já estou cansada, porque mesmo nadando entre tantas possibilidades de entretenimento e de pessoas que eu precisava ver eu permaneço aqui, atirada no chão, como um vegetal, enterrada no meu próprio tédio.
Não grito, não falo, às vezes escuto barulhos dos vizinhos, da cidade, e ouço baixinho algo dentro de mim e não entendo, não é audível o suficiente e eu choro baixinho, ninguém vê, está escuro, estou só.
As coisas não funcionam, o medo me invade e o céu escurece, alguma canção em espanhol tocando em algum lugar do mundo e isso eu escuto porque só ouço o que estou disposta a ouvir. Coisas que eu sei que nunca serão ditas se confundem com o que foi dito e eu desminto tudo e já não beijo meus inimigos, porque já não quero tê-los por perto e eu parei de cair nos mesmos precipícios de sempre, pois encontrei outros menos perigosos. À propósito, meus sonhos estavam repletos dele hoje e eu quis reivindicar todos que o julgavam na multidão e toda aquela platéia quis apedrejá-lo enquanto eu queria salvá-lo, protegê-lo e passar uma noite ao menos com ele, mas sei que se isso acontecesse ia querer outras mil porque sim, eu faço sexo com o cérebro das pessoas. E gozo. Sempre. Mas esse sonho não posso contar à ninguém, ele é somente meu. O sonho claro, porque a pessoa está oficialmente impedida de sê-lo, já que os juízes assim quiseram. Então, sem overdose de cultura, estoy eferma. Y sola.

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