A lepra do desespero

     A fonte secou. Fria e completamente. Nenhum dinheiro, emprego, objeto de comunicação, livros. Não tenho nada Absolutamente ninguém se dedica a mim. Eu não mereço coisa alguma, mas eu sinto que merecia. Vejo todos os culpados do meu encaminhamento para a miséria bem, vivendo bem, porque creem que fizeram tudo certo, afinal, eles sabem amar a si mesmos e não deixam que os invadam mergulhados na inocência venenosa de acreditar cegamente que alguém pode amá-los mais do que eles mesmos são capazes de se amarem. Tenho tudo engasgado e nunca falarei. Eu engulo tudo, engoli desde que nasci e minha liberdade reprimida me transformou nessa pessoa que transborda emoções, mas que permanece só, sempre com a pior parte, tendo tudo sendo tirado de mim: oportunidades, sonhos, vontades, fé e crenças. São tempos difíceis para os sonhadores e os carentes como eu. Nada. Mendigando aqui e ali, no gozo dos outros coexiste meu desespero.
     Eu deveria ter feito escolhas diferentes e aprendido desde cedo que sempre terei de me submeter a algo. Tenho planos de voas para longe onde possa acalmar-me do caos e encontrar paz. Tenho certeza de que é o meu desamor por mim mesma que me deixa assim carente a ponto de não conseguir encarar as coisas de frente para seguir sozinha. E esse é o problema do mundo: a vastidão de possibilidades suicidas.

Ps.: Meus arrependimentos estão me corroendo drasticamente. Queria poder fugir.

Você realmente gosta das garotas semi-interrompidas.

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