Saco cheio e mau-humor


O apartamento não tem mais cheiro de cigarro, pois tenho fumado na janela e tudo está limpo e organizado. Os vizinhos não reclamam mais, depois de um longo tempo ouvindo gemidos agudos, eles passaram a ouvir soluços e agora ouvem apenas músicas que buscam me brutalizar e provavelmente sintam o cheiro forte de maconha que sobe pelo banheiro.
Ontem aquele beijo na testa me fez muito bem e o frio não me corroeu tanto graças ao vinho e ao meu marlboro vermelho que depois de tudo é o único que permanece fiel a mim e consegue preencher as falhas de fala de uma pessoa tímida como eu, o cigarro no ato de fumar põe vírgulas em minhas frases cortadas e muitas vezes incompreensíveis e inteligíveis graças à maconha.
Me desculpe carinha idiota e engomadinho que me abordou no bar. Puta que pariu, uma mulher não pode estar sozinha num bar que já vem macho querer beijos com as cantadas mais baratas, eu lá tenho cara de quem trepa com qualquer um? Trepo por motivos certos, trepo porque eu quero. Aqueles sambas aos poucos vão saindo da minha cabeça, à medida que escuto hard rock em volume alto.
Eu não sou obrigada à nada e ontem tive certeza disso. Estou livre e cheia de responsabilidades, ninguém vai me levar para casa. O romantismo acabou. Agora é saco cheio e mau-humor. Desperdicei uns sete paus ontem. Who cares?

Comentários

  1. Não veja pequeno, tente observar a vida de cima.

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