Autorretrato maravilhoso
Os dias nublados me deprimem bastante, apenas me sinto feliz vendo o sol passar pela minha retina e fechar meu globo ocular contra a sua luz astro-atômica e não astronômica, porque funciona como explosão em meu olhar, desencadeando a função de combustão. Já não há plantas para fumar e eu sigo refletindo sobre meu ego inflado e meu caráter murcho. Me despedaço nos meus textos surrealistas, adiós lógica y razón , todas as fases da loucura inconsciente dirigidas à minha mente conturbada e minhas visões que disparam nas linhas sobrecarregadas do meu cérebro bastante danificado, danoso, danado, enterrado. Voo em direção à lugar nenhum, nessa escrita automática frustrada, sem fumaça nem perdão. Tudo flui, mas o sentido não aparece, desando no silêncio. Sou uma nova mulher, a inspiração é uma pirada, sem ar, desmotivada. Me expressei muito mal, eu jamais disse o que queria dizer, muito menos ouvi o que deveria. Todo meu corpo se converterá em pó, no dia em que desaparecerei deste mundo ingrat...